Endividamento das famílias ainda não melhorou, diz diretor da Fitch

Renato Donatti, da Fitch Ratings, aponta uma combinação de elementos que deterioram cenário para consumo e varejo no Brasil

Endividamento das famílias ainda não melhorou, diz diretor da Fitch
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Endividamento das famílias ainda não melhorou, diz diretor da Fitch

Renato Donatti, da Fitch Ratings, aponta uma combinação de elementos que deterioram cenário para consumo e varejo no Brasil

O índice de inadimplência e a normalização da oferta de crédito no varejo brasileiro não devem melhorar nem a curto nem a médio prazos. Essa é a avaliação da agência de classificação de riscos Fitch Ratings, segundo Renato Donatti, diretor sênior da empresa.

Donatti aponta uma combinação de elementos que deterioram o cenário para o consumo e o varejo no Brasil.

"Juros altos, endividamento das famílias em níveis recordes e uma deterioração esperada da inflação para este ano", afirmou. A projeção da agência para a inflação em 2024 é de aproximadamente 5%, com destaque para alimentos e produtos do dia a dia, cuja alta tem "corroído de forma importante o orçamento das famílias".

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Outro fator destacado por Donatti é o crescimento das apostas online, as chamadas bets. Segundo ele, o volume movimentado nesse segmento já representa entre 250 e 300 bilhões de reais por ano — recursos que, na avaliação da Fitch, poderiam estar sendo destinados a outras categorias do varejo.

Programa Desenrola Brasil não trouxe melhora significativa

Questionado sobre o impacto do programa Desenrola Brasil, iniciativa do governo voltada à redução da inadimplência, Donatti foi cauteloso. "Os dados indicam que o endividamento das famílias não melhorou de forma importante nos últimos meses", disse.

Segundo ele, os dados de junho da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) apontam estabilidade no endividamento familiar em torno de 81%, número muito próximo ao registrado em maio. "Apesar dos esforços do governo, o que a gente observou de fato não foi uma melhora", acrescentou.

Para o diretor sênior da Fitch, uma eventual melhora moderada poderia ocorrer no próximo ano, caso a inflação converja para patamares próximos a 4% e os juros continuem recuando em ritmo mais acelerado do que o esperado.

Os dados de julho e agosto serão, segundo ele, importantes para indicar a trajetória do endividamento familiar.

Varejo de vestuário é o mais exposto

Ao detalhar quais segmentos do varejo estão mais vulneráveis à inadimplência, Donatti apontou as empresas de moda e vestuário como as mais expostas.

Isso porque essas companhias costumam oferecer cartões de crédito próprios e empréstimos pessoais a uma parcela da população considerada mais vulnerável a oscilações macroeconômicas — frequentemente pessoas com renda mais baixa e com acesso limitado ao sistema bancário tradicional.

Apesar do risco elevado, Donatti ressaltou que, quando bem administrada, a operação de serviços financeiros no varejo tende a ser rentável, dado o alto patamar das taxas de juros no Brasil.

Ele também destacou que, desde o período pós-pandemia, as empresas do setor têm adotado maior disciplina financeira, mantendo a originação de crédito estável ou crescendo próximo à inflação.

"Hoje, dentro do portfólio da Fitch, a gente não vê nenhuma pressão nas empresas que a gente classifica do ponto de vista de risco de rating financeiro", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/endividamento-das-familias-ainda-nao-melhorou-diz-diretor-da-fitch/