A violência na Cisjordânia ocupada aumentou nesta segunda-feira (7), quando tropas israelenses mataram a tiros um palestino durante um ataque de colonos a uma aldeia, e outro palestino foi morto depois de entrar em um posto avançado e esfaquear um colono, segundo autoridades.
Foi o episódio mais recente de violência envolvendo dezenas de assentamentos israelenses na Cisjordânia, onde ataques de colonos militantes contra palestinos provocaram condenação internacional e uma rara ordem do líder de Israel para desmantelar alguns deles.
A Reuters informou no domingo (6) que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu a ordem após pressão de Washington. O enviado dos Estados Unidos a Israel visitou neste fim de semana uma cidade palestina que sofreu ataques de colonos e abriga muitos cidadãos americanos.
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2026-09-07 10:10:32Tropas israelenses matam palestino após ataque de colonos
Durante a noite, palestinos em Hajja, no norte da Cisjordânia, reuniram-se na periferia leste da aldeia para confrontar cerca de nove colonos armados que haviam invadido o local, segundo moradores. Eles teriam vindo de um posto avançado a cerca de dois quilômetros da aldeia, por uma estrada de terra.
Os moradores disseram que tropas israelenses se aproximaram da área pelo lado oposto, encurralando os palestinos entre os soldados e os colonos.
Segundo relatos, tanto os colonos quanto as tropas abriram fogo. Um palestino de 19 anos foi morto e outros três ficaram feridos, disseram os moradores.
Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que tropas foram enviadas a Hajja após receberem informações de que israelenses haviam entrado na aldeia.
Segundo o comunicado, os palestinos atiraram pedras contra as tropas, que “realizaram procedimentos de prisão, incluindo disparos de advertência para o ar, seguidos de fogo contra os principais instigadores. Os impactos foram identificados”.
Ziad Batta, morador de Hajja, disse que ele e mais de 100 outros moradores correram para a área para confrontar os colonos.
“Os colonos começaram a disparar gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Três veículos do Exército também vinham do posto avançado e começaram a disparar gás lacrimogêneo, munição real e granadas de efeito moral. Os jovens fugiram”, disse.
Palestino esfaqueia colono israelense, dizem militares
Em um incidente separado, um palestino entrou em um posto avançado de colonos perto da vila de Qusra, onde um cerco realizado por colonos no mês passado gerou protestos internacionais, e esfaqueou um israelense de 20 anos, ferindo-o gravemente, segundo militares e médicos israelenses.
As tropas montaram bloqueios nas estradas da região e localizaram o homem perto de uma aldeia a oeste, informou o Exército em comunicado. O homem tentou então esfaquear os soldados, mas foi morto a tiros por um comandante militar, acrescentou o comunicado.
O Ministério da Saúde da Autoridade Palestina confirmou a morte de um homem de 34 anos, sem fornecer detalhes.
Netanyahu afirmou desejar “uma recuperação completa ao fazendeiro (israelense) que foi ferido no ataque” e que Israel “continuará a eliminar terroristas, caçar aqueles que os enviam e destruir a infraestrutura terrorista na Judeia e Samaria”, usando o termo bíblico para a Cisjordânia.
O gabinete do líder israelense não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre se ele havia ordenado o desmantelamento de alguns postos avançados.
Netanyahu afirmou repetidamente que seu governo, o mais direitista da história de Israel, apoiou o estabelecimento de dezenas de postos avançados, que muitas vezes consistem em caravanas pré-fabricadas instaladas sem aprovação formal do governo.
Seu governo concedeu status legal retroativo a muitos deles.
Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram todos os assentamentos em território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, ilegais sob o direito internacional. Israel rejeita essa classificação, considerando o território como disputado e não ocupado.