Uma comitiva formada por empresários, representantes de entidades e autoridades da Bolívia conheceu, nos dias 11 e 12 de agosto, propriedades rurais e unidades industriais de Mato Grosso em uma agenda voltada ao intercâmbio de tecnologias e experiências no agronegócio.
Organizada pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia, a iniciativa reuniu lideranças dos setores público e privado dos dois países e apresentou modelos de produção em agricultura, pecuária, algodão, bioenergia, agroindústria e gestão.
Para o presidente de honra do Comitê de Integração Brasil–Bolívia, Eraí Maggi Scheffer, o conhecimento acumulado por Mato Grosso pode ajudar a Bolívia a acelerar o desenvolvimento do setor agropecuário.
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2026-08-15 05:00:50Segundo ele, o estado levou cerca de 30 anos para alcançar o atual nível de produção, período marcado por testes, investimentos e adaptação de tecnologias. A avaliação é que o compartilhamento dessas experiências pode permitir que produtores bolivianos avancem em um período menor.
No primeiro dia da programação, a comitiva visitou a Fazenda Fartura e a Fazenda Filadélfia, em Campo Verde, e acompanhou uma colheita de algodão durante o deslocamento para Primavera do Leste. O grupo também conheceu a FS Biofuels, onde acompanhou o processo industrial de produção de bioetanol de milho.
Já no segundo dia, a agenda foi concentrada na região médio-norte do estado, com visitas ao distrito industrial e às fazendas Agromar e Colorado, em São José do Rio Claro. Os visitantes conheceram o sistema Compost Barn aplicado ao confinamento de gado de corte, além de práticas de manejo e modelos de integração produtiva.
O presidente da Câmara Agropecuária do Oriente, Klaus Frerking, destacou as semelhanças entre Santa Cruz e Mato Grosso, especialmente na importância da agropecuária para as economias locais.
Segundo Frerking, a comitiva buscou conhecer tecnologias aplicadas à produção de soja, algodão, milho e carne, com o objetivo de adaptar parte das experiências à realidade boliviana.
A Câmara Agropecuária do Oriente reúne cerca de 70 mil produtores e 100 mil unidades produtivas em Santa Cruz, o que, de acordo com o dirigente, amplia o potencial para novas parcerias e intercâmbio entre produtores dos dois territórios.
O presidente da Associação Boliviana dos Criadores de Zebu, Marcelo Muñoz, também ressaltou a possibilidade de acelerar a adoção de tecnologias já testadas em Mato Grosso.
Para ele, o contato direto com produtores e empresas do estado permite conhecer soluções que passaram por anos de desenvolvimento e podem ser adaptadas às condições da Bolívia.
A senadora boliviana Natalia Miserendino destacou, por sua vez, a importância da aproximação entre o setor produtivo e o poder público. Segundo ela, o intercâmbio permite conhecer mecanismos que podem reduzir burocracias e criar condições para ampliar investimentos e incorporar novas tecnologias.
Durante a visita à fazenda Agromar, a parlamentar também observou práticas relacionadas à sustentabilidade, manejo das propriedades, preservação ambiental e uso dos recursos hídricos.
A agenda entre as lideranças brasileiras e bolivianas também abordou temas como agricultura de larga escala, gestão, algodão, pecuária, confinamento, bioetanol de milho, biodiesel, logística, infraestrutura e agregação de valor.
A iniciativa faz parte do trabalho do Comitê de Integração Brasil–Bolívia para aproximar os setores público e privado e ampliar as oportunidades de cooperação entre Mato Grosso e a Bolívia.