Debate político perde espaço para redes sociais, diz cientista política
No WW Especial, professora da UFPR, Graziella Testa, avalia que telas e algoritmos mudaram a relação entre eleitores, candidatos e Congresso
A política se tornou mais um ambiente mediado por telas e algoritmos, que constroem e consolidam identidades das figuras públicas. Esse processo facilitou a "solidificação" dos eleitores que não estão dispostos a mudar de voto, segundo a professora da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Graziella Testa ao WW Especial.
"Essa solidificação tem a ver com a ideia de identidade, que, às vezes, sequer perpassa uma questão temática", explicou.
Isso afasta parte da população das propostas e dos planos de governo, concentrando o debate, sobretudo, na personalidade do candidato. Testa afirma que a mudança nos modos de comunicação da maioria da população também alterou o diálogo político.
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"Não tenho nenhuma dúvida que a identidade guarda uma relação muito grande com o formato de comunicação", diz Testa ao WW Especial. "E não vejo um cenário muito bom no futuro para a construção de novas lideranças políticas, porque a gente nem tem mais espaço para isso", afirmou.
A mudança na relação dos eleitores com os políticos se acelerou com o início da pandemia da COVID-19 e o início das sessões semipresenciais no Congresso. Parte das votações não exige a presença dos parlamentares em Plenário, enquanto outra pede a participação no início das discussões.
Para Testa, as conversas mudaram de local. Saíram da Câmara dos Deputados e do Senado - nas comissões ou Plenário - e migraram em direção às telas. "Esse debate acontece, sobretudo, nas próprias redes. A população não acessa mais os seus políticos no Congresso, acessa onde eles estão: no celular", finaliza.
WW Especial
Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.
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