A crise interna no Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos políticos e pode ter contribuído para aproximar, ao menos nas redes sociais, Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Segundo apuração da analista de Política Clarissa Oliveira, a aproximação entre os dois se dá principalmente no ambiente digital.
“Flávio e Michelle finalmente conseguiram encontrar um ponto em comum, e, ainda assim, com muitas ressalvas e restrições. Ainda não parece que a gente vai ver novamente os dois um ao lado do outro, não em cima do palanque”, afirmou Clarissa ao Bastidores CNN desta segunda-feira (7).
A estratégia identificada nos bastidores aponta para uma divisão de papéis entre os dois. Flávio Bolsonaro adota uma postura de confronto direto, com críticas a Alexandre de Moraes e pressão sobre o STF, chegando a discursar no Senado Federal contra o ministro.
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2026-09-07 17:10:36Já Michelle Bolsonaro mobiliza o público evangélico, com publicações voltadas à exaltação de André Mendonça. “É uma união de forças para que Michelle e Flávio operem simultaneamente para tentar mobilizar a base bolsonarista na esteira dessa crise no Supremo Tribunal Federal”, destacou Clarissa.
Michelle publicou uma foto ao lado de André Mendonça no fim de semana, reforçando sua proximidade com o ministro, figura que ela própria teria sugerido ao marido, Jair Bolsonaro, para ocupar a vaga na Corte. A relação entre Michelle e Mendonça é descrita como próxima, especialmente pelo viés religioso.
Flávio, por sua vez, concentrou suas críticas também na figura de Cármen Lúcia, apontada como possível voto de minerva diante da divisão interna do tribunal.
Ausência no ato do 7 de setembro
Michelle não participou presencialmente do ato na Avenida Paulista, em São Paulo. “Michelle justifica nos bastidores que as restrições impostas por Alexandre de Moraes à prisão domiciliar a impedem, na prática, de colocar um substituto para ajudar nos cuidados com a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro”, explicou a âncora Tainá Falcão.
Alexandre de Moraes já negou um pedido anterior da defesa para que o irmão de Michelle, Carlos Eduardo Torres, permanecesse na residência, sob o argumento de que ele não possui formação na área da saúde.
Posteriormente, o ministro autorizou temporariamente a presença de Geovanna Ferreira Lima, irmã de Michelle, para que ela pudesse realizar exames médicos.
Ainda não há resposta para o pedido mais recente, que permitiria a presença de familiares de forma mais ampla para viabilizar a participação de Michelle em compromissos de campanha ao lado de Flávio Bolsonaro.
No campo interno do PL, observadores apontam que Michelle busca construir seu próprio núcleo político dentro do partido e da direita, mantendo uma relação estritamente pragmática com Flávio Bolsonaro.
“É muito conveniente para a Michelle não comparecer por vários motivos. O principal deles: Michelle tem um projeto para 2030 e ela não esconde isso“, afirmou o âncora Gustavo Uribe. Ele destacou que o projeto envolve uma candidatura à presidência, seja como cabeça de chapa ou como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Aparecer em um evento com críticas diretas a ministros do STF poderia gerar uma imagem negativa e comprometer compromissos assumidos anteriormente”, observou Uribe.
Além disso, o âncora destacou que Michelle teria feito um compromisso no gabinete de Alexandre de Moraes de que Jair Bolsonaro não descumpriria nenhuma medida cautelar.
“Se Michelle vai a um ato político contra Alexandre de Moraes, pode ser que Alexandre de Moraes amanhã diga que, vocês transformaram em política, ele volta para prisão em regime fechado”, analisou.