Crise no STF faz esquerda modular discursos de campanha
Candidatos defendem investigação e receiam ser "antitudo"
Candidatos ao Senado buscam modular discursos de campanha em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) sob o mote de que ninguém está acima da lei e de que todos precisam ser investigados.
Dirigentes partidários de siglas de centro e centro-esquerda ouvidos sob reserva afirmam que fazem avaliações internas sobre o cenário, mas ponderam que é possível que a crise beneficie candidatos que forem abertamente contra a corte.
A avaliação é de que há um certo receio de fazer um jogo de ser "antitudo" em um momento complexo e de uma crise reconhecidamente grave.
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2026-09-07 16:19:52Com isso, candidatos principalmente ao Senado -- que é a casa que tem a prerrogativa de tocar processos de impeachment de ministros do STF -- tem testado o alcance do discurso.
Muitos apostam na linha adotada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo próprio petista, com críticas a vazamentos e menções ao caso Dark Horse, que investiga o principal adversário do PT, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Rogério Carvalho (PT-SE), que tenta mais oito anos como senador, por exemplo, foi pela linha de que se deve tirar o sigilo de tudo para que ninguém seja prejudicado por seletividade.
"Todo ministro do STF tem que cumprir a sua função. Quem não cumprir deve se submeter aos rigores da lei. Chegou a hora da gente revelar tudo", alegou o candidato ao Senado por Sergipe a uma rádio local, a Sim FM, ao ser questionado sobre o ministro Alexandre de Moraes.
Outros, como a candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), têm mais facilidade de subir o tom.
Em um vídeo feito pela campanha, Marina classificou as denúncias sobre Alexandre de Moraes como gravíssimas e disse que o ministro deveria se explicar e se afastar temporariamente.
Na dobradinha com Marina na disputa ao Senado, Simone Tebet (PSB) relatou indignação com as denúncias e defendeu a abertura de investigação contra Moraes.
Candidata ao Senado em Minas Gerais, Marília Campos (PT) defendeu a criação de um “código de ética” para o STF e cobrou “transparência” da Corte, mas sem citar Alexandre de Moraes.
Candidato ao Senado no Mato Grosso, o ex-ministro Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, foi mais incisivo e pediu o afastamento ou impeachment de Moraes.
A leitura de marqueteiros de campanhas do campo governista ouvidos pela CNN é que a guerra no STF não é uma pauta da esquerda ou da direita, mas uma crise institucional.
Como presidente, Lula acaba sofrendo mais desgastes, já que é visto pelo eleitor como o “sistema”.