A confusão generalizada na fronteira do Marrocos com Ceuta, território espanhol no norte da África, causou divisão na Europa, com líderes de Estados-membros da União Europeia apelando para que a Espanha controle o caso.
O Ministério do Interior da Espanha disse nesta sexta-feira (31) que, segundo suas estimativas, cerca de 49 mil migrantes cruzaram para o enclave de Ceuta, no Norte de África, nas últimas 24 horas, enquanto corriam por mar e por terra vindos de Marrocos. Pelo menos 34 pessoas morreram.
Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham cruzado a fronteira nos últimos dias, disse Juan Jesús Vivas, prefeito de Ceuta, a jornalistas, nesta sexta-feira, o que representa mais da metade da população do enclave.
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A França anunciou o aumento das fiscalizações na sua fronteira com a Espanha, e a Itália ameaçou suspender a Espanha do regime de livre circulação interna da UE.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou já ter emitido instruções “para intensificar imediatamente as verificações na fronteira com a Espanha”. O ministério não forneceu mais detalhes sobre como isso alteraria os procedimentos.
A primeira-ministra de direita da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu país estava preparado “para intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha”.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a política de anistia da Espanha havia “incentivado o tráfico de pessoas”. A Espanha convocou o embaixador italiano para protestar contra as declarações de Tajani.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nesta sexta-feira (31) que a situação da entrada maciça de migrantes em Ceuta é “preocupante” e que seu governo havia entrado em contato com Madri para entender as implicações e oferecer apoio.
“É uma situação preocupante e sei que as pessoas verão essas cenas e exigirão providências”, disse Burnham a jornalistas. “Estamos em contato com o governo espanhol e as autoridades espanholas para oferecer apoio, mas também para entender as implicações dessa situação.”