O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, foi publicada nesta quarta-feira (5) e gerou repercussão entre analistas do mercado financeiro.
Em entrevista ao CNN Prime Time, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, avaliou que o comunicado do Copom aponta para uma perspectiva favorável em relação à trajetória dos preços. “O Copom dá a entender que ele vê esse processo de desaceleração da inflação com bons olhos”, afirmou Rafaela Vitória.
Para Rafaela Vitória, o corte anunciado não deve ser o último do ciclo. Segundo ela, há espaço para a continuidade do processo de calibração da política monetária.
Recomendado para você
Sem apoio do Brasil, OEA acolhe pedido de reunião sobre suspensão de eleições na Nicarágua
Sem apoio do Brasil, OEA acolhe pedido para reunião de chanceleres sob...
2026-08-05 21:28:44Governo do Amazonas pagou R$ 22,1 milhões por aluguel de um mamógrafo; valor compraria 237 equipamentos, aponta CGU
Sede do Governo do Amazonas Bruno Zanardo/Secom O Governo do A...
2026-08-05 21:23:53Resumão diário do JN: Lula classifica de ‘irresponsável’ a revogação do visto de embaixadora brasileira nos EUA; Copom reduz taxa básica de juros para 14% ao ano
A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a tragédia da ...
2026-08-05 21:21:14A economista destacou como um dos pontos centrais do comunicado a menção do Copom à desaceleração da inflação recente, incluindo a chamada inflação subjacente — as medidas de aumento de preços mais sensíveis à política monetária. “Essas medidas, no seu conjunto, já estão, inclusive, dentro do intervalo da meta”, ressaltou. Com base nesse cenário, ela projeta um novo corte também em setembro.
Custo do aperto monetário prolongado
Rafaela Vitória também abordou o custo da desinflação para a economia brasileira. Para ela, o aperto monetário prolongado já se reflete na desaceleração do crédito, no aumento da inadimplência, nos processos de recuperação judicial de empresas de diferentes portes e no elevado nível de endividamento das famílias.
“Esse aperto monetário que se prolonga já por alguns anos, ele sim põe um custo elevado à economia”, afirmou.
A economista lembrou que, no início do ano, o mercado chegou a antecipar cortes mais expressivos na Selic — com expectativas de reduções de 50 ou até 75 pontos-base. No entanto, o ritmo de afrouxamento monetário foi menor e mais tardio do que o esperado, em razão do forte estímulo fiscal observado ao longo do período.
Risco fiscal no radar
Ao ser questionada sobre o impacto do cenário eleitoral e da política fiscal nas próximas decisões do Banco Central, Rafaela Vitória reconheceu que medidas de expansão fiscal — como aumento de transferências de renda e subsídios ao crédito — acabaram impedindo cortes mais céleres nos juros.
Ela alertou que o risco fiscal permanece no radar e que o próximo governo enfrentará uma escolha clara: “O próximo governo vai ter que balancear entre mais gastos e juros mais altos por mais tempo ou fazer um ajuste que permita com que a taxa de juros caia de maneira mais rápida”, concluiu.