A estreia da Shein na Bolsa de Hong Kong coloca novamente os IPOs no radar dos investidores. A varejista pretende começar a negociar suas ações em 1º de setembro, depois de adiar a operação que estava prevista inicialmente para agosto.
A companhia busca levantar cerca de US$ 1,7 bilhão com a venda, o que levaria a um mercado de aproximadamente US$ 27 bilhões, bem abaixo dos quase US$ 100 bilhões atribuídos à empresa em seu auge no mercado.
IPO significa oferta pública inicial. É o processo pelo qual uma empresa oferece ações ao público e passa a ter seus papéis negociados em bolsa. Após a estreia, os investidores podem comprar e vender as ações entre si no mercado secundário.
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2026-08-29 12:14:07Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e apresentador do Resenha do Dinheiro, é importante entender que o IPO atende, antes de tudo, a uma necessidade da própria companhia de captar recursos.
“A abertura de capital acontece no momento que é mais favorável para a empresa, e não necessariamente no melhor momento para o investidor. A companhia busca o momento em que consegue levantar mais dinheiro, assim como seus acionistas e os bancos coordenadores da oferta”, afirma.
Porém, isso não significa que todo IPO seja caro ou que a ação necessariamente vá cair depois da estreia. A precificação depende de diversos fatores, como as perspectivas de crescimento da empresa, o cenário de mercado, a demanda dos investidores e os riscos envolvidos no negócio.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, explica que as companhias tendem a buscar momentos em que exista maior disposição dos investidores para comprar ações.
“Se a empresa entende que vai conseguir vender suas ações por um preço muito baixo, em meio a uma crise, por exemplo, é comum que não faça o IPO naquele momento. Por isso, geralmente vemos mais ofertas quando o mercado está otimista, com os investidores dispostos a comprar novas empresas e apostar em seu crescimento”, diz.
Uma alternativa para quem não quer assumir o risco de entrar em um IPO é esperar o início das negociações.
“Uma opção é deixar a empresa abrir o capital, observar como o mercado reage e entender o que os investidores gostaram ou não gostaram. Depois disso, você consegue avaliar melhor se vale a pena comprar aquela empresa”, afirma Pascowitch.
Para Marilia, a análise dos fundamentos continua sendo o principal critério para decidir se uma oferta faz sentido.
“Pode acontecer de uma empresa fazer um IPO porque precisa de recursos e oferecer suas ações a um preço atrativo. Por isso, é preciso analisar cada caso e entender se aquela oferta está cara, barata ou adequada diante dos fundamentos da companhia”, explica.
Como participar de um IPO?
Quando uma oferta está aberta ao público aqui no Brasil, o investidor precisa ter conta em uma corretora ou banco que participe da distribuição e fazer uma reserva durante o período estabelecido na oferta.
O investidor informa à instituição financeira quantas ações deseja comprar ou quanto pretende investir. A quantidade efetivamente recebida pode ser menor caso a demanda pela oferta seja superior ao número de ações disponíveis. Nesse caso, ocorre o chamado rateio.
“Se o IPO é na própria bolsa brasileira, o investidor precisa verificar quais são os coordenadores da oferta e pode fazer uma reserva por meio da corretora. Dependendo da demanda, ele pode conseguir mais ou menos ações, mas é dessa forma que participa diretamente da oferta no Brasil”, explica Bernardo.
Agora, para o investidor brasileiro que quer investir em uma empresa no exterior, uma possibilidade é abrir uma conta em uma corretora internacional que ofereça acesso à oferta. Nesse caso, é preciso verificar as condições e a elegibilidade para investidores brasileiros.
“Para participar de um IPO fora do Brasil, você pode ter recursos no exterior e fazer a operação por meio da bolsa onde a oferta está acontecendo. Outra possibilidade é a B3 disponibilizar um BDR daquela companhia”, explica Marilia.
Os BDRs, certificados negociados na bolsa que representam ativos emitidos no exterior, podem facilitar o acesso do investidor brasileiro a empresas estrangeiras. Foi o que aconteceu com a SpaceX.
Em junho deste ano, a B3 disponibilizou o BDR da empresa no mesmo dia em que suas ações começaram a ser negociadas nos Estados Unidos. Com isso, investidores brasileiros puderam negociar o ativo diretamente sem precisar fazer uma remessa internacional.
Para quem não quer participar diretamente de uma oferta, fundos e ETFs podem ser uma alternativa para ter exposição a determinadas empresas ou setores.
Um fundo ou ETF pode comprar ações de uma companhia recém-listada depois da estreia, dependendo de sua estratégia e das regras do produto, mas isso não significa que o cotista tenha participado da oferta pública inicial.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.