A Polícia Federal prendeu seis pessoas nesta quinta-feira (15) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. Entre os presos estão o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), o ex-secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes e quatro policiais civis.
Segundo a PF, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis. A investigação aponta que o grupo utilizava empresas para ocultar recursos e contava com diferentes núcleos de atuação, responsáveis pela articulação política, movimentação financeira e proteção institucional.
A apuração teve início a partir de relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Os investigadores também analisaram dados bancários, comunicações e materiais apreendidos em fases anteriores da operação.
Recomendado para você
Hospital de Jundiaí realiza 14ª captação de órgãos do ano; saiba como ser um doador
Hospital São Vicente realiza 14ª captação de órgãos do ano em ...
2026-10-22 17:15:26Datafolha no DF: 32% avaliam gestão Celina Leão como positiva e 31%, como negativa
Celina Leão (PP) é entrevista no DF2 desta quinta (15) TV Glob...
2026-10-22 17:04:37Dois policiais militares são afastados das funções em colégio cívico-militar do Paraná após alunas denunciarem câmera instalada no banheiro
Polícia apreende segunda câmera encontrada em banheiro de colé...
2026-10-22 17:01:03Quem são os seis presos e qual seria a função de cada um
- Márcio Canella: deputado estadual eleito, ex-prefeito de Belford Roxo e apontado como articulador político do grupo. Segundo a PF, atuaria na ligação entre empresários e agentes públicos e teria influência na indicação de pessoas para cargos estratégicos da administração.
- Marcus Vinicius Amim Fernandes: delegado e ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ. É suspeito de atuar como operador institucional, oferecendo proteção administrativa e policial à organização.
- Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo: apontado como principal operador econômico do esquema. Segundo a investigação, controlaria uma rede de postos de combustíveis registrada em nome de terceiros, utilizada para movimentar recursos e ocultar patrimônio.
- José Carlos Alves de Souza Júnior: seria responsável pelo controle da arrecadação e pela distribuição de dinheiro entre os integrantes. Anotações apreendidas pela polícia registrariam repasses a membros do grupo.
- Christiano Gaspar Fernandes: secretário de Ordem Urbana de Belford Roxo, é apontado pela investigação como sócio oculto de empresas ligadas ao grupo e beneficiário de repasses financeiros relacionados às atividades investigadas.
- Giovanni Gaspar Fernandes: também é investigado como suposto sócio oculto de empresas ligadas à organização e beneficiário de recursos provenientes das atividades econômicas sob apuração.
Como funcionava o esquema
De acordo com a PF, a rede de postos de combustíveis era utilizada para movimentar grandes quantias e ocultar a origem dos recursos. O registro de empresas em nome de terceiros dificultaria a identificação dos verdadeiros proprietários dos negócios.
A investigação também aponta suspeitas de que a influência política e a participação de agentes públicos fossem usadas para garantir proteção ao grupo. Outros integrantes são suspeitos de antecipar informações sobre fiscalizações e operações policiais.
Além das seis prisões, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em sete municípios fluminenses. A Justiça também determinou a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas e medidas de sequestro de bens e valores.
Outro lado
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e não compactua com qualquer desvio de conduta. Veja:
“A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.
A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível.”
A defesa do delegado Marcus Amim também se manifestou. “O Advogado Thiago Minagé aguarda acesso ao Dr. Marcus Amim e à decisão para prestar prestar os devidos esclarecimentos”.
Já a defesa dos presos Giovanni Gaspar Fernandes e Christiano Gaspar Fernandes afirmou que não teve acesso aos autos e que os dois ficaram surpresos com a prisão.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.