Como funciona o monotrilho? Conheça operação da Linha 17-Ouro

CNN Brasil visita com exclusividade o Centro de Controle Operacional do novo trecho da malha ferroviária paulistana

Como funciona o monotrilho? Conheça operação da Linha 17-Ouro
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Após anos de obras, a Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo entrou em operação e passou a conectar a rede metroferroviária ao Aeroporto de Congonhas. Construída em via elevada, a até 20 metros de altura, a linha utiliza um sistema de monotrilho diferente do metrô convencional, tanto na infraestrutura quanto na tecnologia embarcada.

Para explicar como o sistema funciona, a CNN Brasil visitou com exclusividade o CCO (Centro de Controle Operacional) da Linha 17-Ouro e conversou com o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.

CCO fica localizado no Pátio Água Espraiada • Khauan Wood/CNN

“O olho que tudo vê”

Toda a circulação dos trens é supervisionada pelo Centro de Controle Operacional da Linha 17. A unidade funciona de forma integrada ao centro de controle principal do Metrô, na estação Vergueiro, e acompanha em tempo real as imagens das câmeras, a posição das composições e o funcionamento dos AMVs (Aparelhos de Mudança de Via), equipamentos que direcionam os trens entre os diferentes ramais.

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Uma das principais características da Linha 17 é o traçado em formato de “Y”. Quando toda a linha entrar em operação, os passageiros que embarcarem na estação Morumbi terão dois destinos possíveis: Aeroporto de Congonhas ou Washington Luís.

Trajeto da Linha 17 – Ouro • Montagem CNN

Segundo o diretor, painéis eletrônicos, avisos sonoros e mapas nas estações informarão o destino de cada composição antes do embarque.

Enquanto a operação completa não começa, a linha funciona no modelo conhecido como shuttle. Nesse formato, três trens fazem viagens curtas entre trechos específicos para validar os sistemas operacionais. Quando todas as estações estiverem abertas, a linha terá 14 trens – 12 em circulação e dois de reserva – com intervalos de até 90 segundos entre as viagens.

Qual a diferença?

Apesar de cumprir a mesma função do metrô tradicional, o monotrilho utiliza uma tecnologia diferente.

Em vez de rodas de aço sobre trilhos metálicos, os trens circulam com pneus de borracha apoiados sobre vigas de concreto. Segundo o Metrô, essa configuração reduz vibrações e proporciona uma viagem mais silenciosa e confortável.

• Governo de São Paulo

As composições também são mais leves. Fabricados em alumínio pela empresa chinesa BYD, os trens pesam cerca de 15 toneladas por carro, enquanto veículos convencionais de metrô podem ultrapassar 40 toneladas. O menor peso reduz a carga sobre a estrutura elevada e diminui os custos de construção.

Outra diferença está na capacidade de vencer aclives. A aderência proporcionada pelos pneus permite que o monotrilho opere em rampas de até 6% de inclinação, acima do limite normalmente suportado pelos trens convencionais.

A Linha 17 também foi projetada para uma demanda intermediária. Cada composição possui cinco carros, capacidade para aproximadamente 616 passageiros e atende corredores com fluxo entre 10 mil e 40 mil passageiros por hora e por sentido.

• Governo de São Paulo

Sistema opera sem condutor

A Linha 17 utiliza a tecnologia UTO (Unattended Train Operation), considerada o nível mais elevado de automação ferroviária.

Na prática, os trens operam de forma totalmente autônoma, sem condutor e sem necessidade da presença permanente de funcionários dentro das composições.

Tecnologia chinesa empregada na cabine de econtrole dos trens • Secom-SP/Divulgação

Segundo Roberto Torres Rodrigues, o sistema vai além do chamado driverless, que elimina apenas o motorista, mas ainda mantém um operador a bordo. No modelo UTO, toda a operação é controlada automaticamente pelos sistemas de sinalização e pelo Centro de Controle Operacional.

Movimento durante apagões

Segundo o Metrô, todas as composições possuem baterias de tração do modelo Blade, desenvolvidas pela BYD. Em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica, o sistema garante autonomia suficiente para que o trem chegue à estação mais próxima.

De acordo com o diretor de Engenharia e Planejamento, as baterias podem permitir um deslocamento de até 13 quilômetros sem alimentação externa.

Durante esse percurso, iluminação, ventilação e tração continuam em funcionamento, o que evita a necessidade de evacuação de passageiros sobre as passarelas da via elevada.

As baterias são recarregadas automaticamente pela rede elétrica da linha e pela energia gerada durante as frenagens.

Polêmicas e atrasos

Apesar da tecnologia empregada na Linha 17-Ouro, a construção foi marcada por atrasos, acidentes, mudanças contratuais e aumento dos custos.

Anunciada para atender à demanda da Copa do Mundo de 2014, a linha levou cerca de 12 anos para iniciar a operação do primeiro trecho.

Ainda na fase de licitação, em 2012, o MPF (Ministério Público Federal) e o MPSP (Ministério Público de São Paulo) recomendaram a anulação da concorrência internacional do monotrilho.

Os órgãos apontaram que o edital havia sido lançado sem um projeto básico detalhado, o que, segundo o entendimento dos procuradores, poderia provocar dificuldades na execução da obra, aditivos contratuais e aumento dos custos.

Durante a construção, um acidente matou um operário em junho de 2014, após a queda de uma viga de concreto na Avenida Washington Luís. Na ocasião, o Ministério do Trabalho interditou temporariamente as operações de içamento de vigas até que medidas de segurança fossem adotadas.

O empreendimento também enfrentou mudanças nos contratos ao longo da execução. A Andrade Gutierrez, uma das empresas responsáveis pela obra no início do projeto, foi alvo de investigações da Operação Lava Jato.

Em 2019, o Estado rompeu o contrato com o consórcio responsável pelas obras civis. Já em 2023, o Metrô encerrou o contrato com o Consórcio Monotrilho Ouro e aplicou multa de R$ 118 milhões por atraso.

Monotrilho amplia integração

Além da tecnologia, o Metrô destaca que o monotrilho apresenta menor custo de implantação em comparação às linhas subterrâneas.

Segundo Roberto Torres Rodrigues, a construção em estrutura elevada exige menos desapropriações e dispensa grandes escavações, reduzindo o investimento por quilômetro. Mesmo com os atrasos nas obras, o custo da Linha 17 ficou em cerca de R$ 800 milhões por quilômetro, abaixo da média atual de aproximadamente R$ 1,2 bilhão por quilômetro de um metrô subterrâneo.

Com a integração às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda, além das conexões com outros ramais da rede, passageiros de diferentes regiões da Grande São Paulo passam a ter acesso ao Aeroporto de Congonhas pagando apenas uma tarifa do transporte sobre trilhos. Isso inclui moradores de cidades como Osasco e Itapevi, além de bairros das zonas Sul e Leste da capital.

Segundo o diretor, a integração busca ampliar o acesso ao transporte e reduzir desigualdades na mobilidade urbana.

(Com informações da Agência Brasil)



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/como-funciona-o-monotrilho-conheca-operacao-da-linha-17-ouro/