Como funciona a autenticação em duas etapas nas instituições financeiras?
Medida comum de segurança de entrada nos aplicativos e sites bancários é uma forma de proteger seus dados, sua privacidade e o seu dinheiro
A autenticação em duas etapas é uma camada extra de segurança usada pelas instituições financeiras. Costuma ser obrigatória, principalmente no primeiro login do internet banking e aplicativo bancário.
Esse reforço na proteção de entrada das contas é um dos métodos mais comuns de proteção em ambientes digitais, e reduz a ocorrência de phishing, roubo de credenciais e outros ataques virtuais.
Ao longo do texto, entenda como funciona a tecnologia, de que riscos ela te protege e como ativá-la junto de outros recursos de segurança.
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2026-08-06 05:03:33O que é e como funciona a autenticação de dois fatores?
A autenticação em duas etapas (2FA) é uma maneira de fazer um login seguro no seu banco ou instituição financeira. Assim, você consegue acessar suas contas bancárias sem ficar exposto a riscos cibernéticos, como perdas financeiras e danos ou roubos de dados.
De acordo com o professor Laerte Peotta de Melo, do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB (Universidade de Brasília), este tipo de verificação costuma envolver três categorias:
- Algo que você sabe: senha, PIN de acesso ou frase secreta
- Algo que você possui: um celular, cartão físico, chave de acesso ou token
- Algo que você é: seus identificadores biométricos, como impressão digital, reconhecimento facial ou correspondência de voz
“Isso também pode ser estendido para a autenticação multifator (MFA), que exige mais de duas etapas de confirmação”, acrescenta Melo.
Na prática, isso funciona com verificações extras da sua identidade na hora de fazer o login ou uma transação financeira, como Pix, pagamento de boletos e transferências de investimentos.
Por que é importante para a segurança financeira?
Mesmo quando são criadas senhas fortes e únicas para uma conta, isso não é considerado suficiente para protegê-la de ameaças cibernéticas. Assim, a verificação em duas etapas é uma das etapas mais simples para melhorar a sua segurança digital geral.
Além disso, vale lembrar que este recurso protege, junto do acesso à plataforma bancária, dados sensíveis e pessoais, dados do cartão de débito e de crédito, listas de contatos, endereços, entre outras informações.
Quais os tipos mais comuns?
Códigos por SMS ou e-mail
Códigos de uso único são enviados para o número de telefone cadastrado. É um dos métodos mais usados, e o ideal é que seja combinado com outras formas de segurança.
No caso de roubo do celular ou de acessos remotos de criminosos, as notificações podem ficar acessíveis. Por isso, criar senha para o seu chip, tirar as notificações da tela de bloqueio, trocar a senha do e-mail, e desligar ou bloquear o aparelho em situações de risco é essencial.
Fatores biométricos
Incluem o uso de impressão digital, reconhecimento facial e até exames de íris em modelos de segurança mais robustos. São bastante comuns para dispositivos móveis.
Notificações por push
Quando um acesso no computador, notebook ou aplicativo envia uma confirmação extra para o seu aparelho e você toca em “aprovar” ou “negar” a tentativa de entrada na conta.
É mais comum para logins em e-mails.
Chaves de segurança físicas
São dispositivos físicos, como chaveiros que geram códigos de uso único baseados em tempo. Em pagamentos online com o cartão, por exemplo, o pedido do número do CVV é um exemplo.
Token de segurança bancário
Senha temporária gerada para confirmar a sua identidade. Pode estar no aplicativo do banco ou em um aplicativo complementar. O Inter tem o i-Safe, por exemplo, que gera códigos únicos para autenticar as transações e o acesso à conta.
Quais as principais vantagens da autenticação de dois fatores?
A autenticação em duas etapas ou multifatorial previne riscos com golpes cibernéticos como:
- Phishing: mensagens falsas por e-mail que imitam marcas conhecidas para roubar dados
- Smishing: variação do phishing, aplicada por mensagens de texto SMS
- Falsa central de atendimento ou vishing: golpes aplicados em ligações telefônicas por falsos atendentes de bancos
- Golpe de Whatsapp: clonagem de contas ou uso de números novos com fotos roubadas para pedir dinheiro ou enviar links maliciosos
- Falso emprego: promessas enganosas de ganhos rápidos de dinheiro na internet para roubar dados ou pagamentos
- Golpe do Pix: páginas falsas ou QR codes adulterados para desviar transferências
- Boleto falso: documentos gerados com códigos de barras adulterados
- Lojas virtuais falsas: sites criados para clonar cartões ou vender produtos que nunca serão entregues
- Falso motoboy: criminosos simulam fraude no cartão e dizem que um motoboy irá recolhê-lo
- Malware: programas com vírus ou spyware que infectam sistemas para roubar informações ou espionar telas
- Mão fantasma: aplicativos fraudulentos que dão acesso remoto total ao celular
Como ativar a verificação de duas etapas?
Para configurar a autenticação em duas etapas na sua conta digital, basta seguir dois passos simples:
- Insira o nome de usuário e a senha
- Conclua a segunda etapa de verificação, usando códigos e tokens de segurança, senhas de tipo único, verificação biométrica ou chave de segurança única
Depois disso, é possível que sejam solicitados códigos ou senhas extras para as transações mais delicadas, como Pix, investimentos e transferências entre contas.
Outro ponto importante para se proteger é conhecer todos os mecanismos de segurança que o seu banco ou instituição financeira oferece, e ativar cada um deles.
No caso do Inter, por exemplo, há uma página específica explicando quais as medidas usadas para a proteção financeira dos seus clientes e boas práticas para o dia a dia.
Quais os sinais de que uma instituição financeira mantém a sua segurança?
“O primeiro ponto é a comunicação. Quando os usuários fazem uma transação ou o primeiro acesso, as instituições financeiras enviam mensagens avisando que isso acabou de ser feito”, explica o professor Laerte Peotta de Melo.
O especialista detalha que por conta da agilidade dos criminosos, as pessoas devem estar atentas. As mensagens de alerta dos bancos e instituições financeiras, seja por SMS, e-mail ou Whatsapp, devem chegar imediatamente sobre pagamentos, Pix, empréstimos e novos acessos. Assim, problemas são detectados a tempo.
Contudo, vale lembrar que as instituições não pedem senhas ou outros dados pessoais por telefone ou mensagem, e que mensagens com teor de urgência podem ser um sinal de tentativas de golpes. Evite clicar em links desconhecidos e prefira entrar em contato com o banco pelos canais de atendimento oficiais ou aplicativo.
“Hoje em dia a tecnologia ainda permite que o banco associe um perfil de comportamento para cada cliente”, conta Melo. “Se você nunca faz Pix em um valor acima de R$ 1.000 por dia e isso acontece, o próprio sistema da instituição já fica alerta e pode até bloquear temporariamente a transação”.
Personalizar os limites para cada tipo de atividade financeira é uma dica do professor para aumentar a segurança das contas. Cartões virtuais, inclusive de uso único, também são úteis para pagamentos online, já que além de não terem seus dados principais, podem ter limites de uso.