Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA
Governo alega que tratou de tarifas com EUA; presidente Lula disse não haver justificativa para Trump impor sobretaxas
As Comissões de Relações Exteriores do Congresso Nacional manifestaram, nesta quinta-feira (16), preocupação com a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, oficiliazada pelo governo dos Estados Unidos na noite de quarta (15).
O presidente do colegiado da Câmara, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), chamou a postura do governo brasileiro de “irresponsável” nas negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas e disse que as novas tarifas representam "uma grave derrota diplomática e comercial para o Brasil".
"Segundo informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas, o fracasso das tratativas decorreu da postura de má-fé adotada pelo governo brasileiro, que teria priorizado ganhos políticos e eleitorais em detrimento de uma negociação técnica, responsável e orientada pela defesa da economia brasileira", disse o deputado da oposição.
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2026-07-16 20:46:50Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), também comentou a postura do governo brasileiro. De acordo com ele, o órgão colegiado contribuiu desde o início das negociações para abrir canais de interlocução com o Congresso dos Estados Unidos.
O congressista argumentou que o Brasil não deveria adotar a Lei de Reciprocidade neste momento e que a Comissão vê a postura dos EUA com “preocupação”.
"O Brasil dispõe de instrumentos legais para defender seus interesses, entre eles a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. Sua existência fortalece a posição brasileira nas negociações. No entanto, qualquer medida deve ser adotada com responsabilidade, baseada em critérios técnicos e levando em consideração seus impactos. Sempre defendemos que a negociação é o caminho mais eficiente para preservar empregos, investimentos e a relação econômica entre os países”, disse em nota.
A posição de Trad vem na esteira da possibilidade levantada pelo governo brasileiro de usar a Lei da Reciprocidade. O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), sugeriu que o país saberá como implementar a norma no momento adequado para responder às tarifas.
O que diz o governo
Ao longo desta quinta, o governo brasileiro buscou rebater as alegações feitas pelo governo dos EUA e disse que nunca deixou as mesas de negociações sobre o tarifaço.
Após a imposição das tarifas, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou o presidente Lula e disse que as políticas econômicas do Brasil são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros". Ele também acusou o petista de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. O Planalto rebateu as críticas e disse que nunca deixou de comparecer às mesas de negociações.
Na noite desta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não há justificativa para os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A declaração foi feita nas redes sociais, onde o presidente compartilhou o pronunciamento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta às falas do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
"Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros", escreveu Lula.
Entenda
O governo dos Estados Unidos confirmou na quarta-feira a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil a partir de 22 de julho, seguindo a indicação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos).
A tarifa é adicional às alíquotas já existentes, ou seja: um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.
Apesar de a medida contar com isenção de produtos de relevância para as exportações brasileiras aos norte-americanos, como café e carne, setores de peso na economia doméstica serão impactados.
A autoridade ainda afirmou que os EUA irão rever as ações caso haja retalição do lado brasileiro.
No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana - ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.