O mercado global de celulose entra no segundo semestre de 2026 em um cenário de transição, com perspectivas de recuperação gradual dos preços da fibra curta, apesar da desaceleração da economia chinesa e do aumento da capacidade produtiva na Ásia. A avaliação é do Rabobank, em análise setorial divulgada em agosto.
Segundo o banco, os fundamentos de curto prazo para a celulose de fibra curta, principalmente BHKP (Bleached Hardwood Kraft Pulp) e BEK (Bleached Eucalyptus Kraft), permanecem relativamente favoráveis. Pelo lado da oferta, o mercado ficou mais equilibrado do que o previsto no início do ano após uma série de paralisações, fechamentos de fábricas e reduções temporárias de produção.
De acordo com dados da Fast Markets, mais de 2,2 milhões de toneladas de celulose de fibra curta deixaram de estar disponíveis no mercado global em 2026 em razão de paradas de produção, conversões de capacidade e interrupções operacionais.
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Do lado da demanda, o crescimento do consumo chinês de celulose deve ser mais moderado do que em ciclos anteriores. O Rabobank atribui esse movimento ao avanço da integração da indústria local e à expansão da produção doméstica chinesa.
Apesar disso, a China continua dependente das importações de celulose de fibra curta virgem. Além disso, os custos de produção do país aumentaram em 2026, pressionados pelos preços dos cavacos de madeira, custos logísticos e impactos climáticos. Esse cenário tende a sustentar a demanda chinesa por celulose importada no restante do ano.
Entre os segmentos consumidores, tissue e fluff aparecem como os mercados com perspectivas mais favoráveis. O crescimento de produtos de higiene pessoal, especialmente aqueles voltados para incontinência, além da expansão do consumo de tissue em mercados emergentes, deve contribuir para o avanço da demanda por celulose no restante de 2026.
Fibra longa enfrenta cenário mais difícil
O quadro é diferente para a celulose de fibra longa, ou NBSK (Northern Bleached Softwood Kraft). O segmento enfrenta excesso de estoques, demanda estruturalmente mais fraca e custos elevados de madeira na Europa e na América do Norte.
Essa combinação aumenta a competitividade da fibra curta de eucalipto em diversas aplicações, favorecendo produtores brasileiros. Segundo o Rabobank, o diferencial de custos continua expressivo, com vantagem significativa da celulose brasileira em relação aos produtores do hemisfério Norte.
Brasileiras priorizam geração de caixa
No Brasil, o cenário é marcado por maior disciplina financeira entre as principais empresas do setor. O Rabobank cita Suzano, Klabin e Eldorado como companhias que têm priorizado a geração de caixa, desalavancagem e captura de valor dos investimentos já realizados.
Ao mesmo tempo, as empresas demonstram maior cautela na apresentação de novos projetos. Apesar disso, grandes empreendimentos em andamento, como os projetos da Arauco em Mato Grosso do Sul e da CMPC no Rio Grande do Sul, indicam que a expansão da oferta brasileira continua em curso, embora sem impactos relevantes sobre o mercado no curto prazo.
O cenário, portanto, combina uma oferta global mais ajustada no curto prazo com uma demanda chinesa crescendo em ritmo mais moderado. Para o Rabobank, essa relação deve permitir uma recuperação gradual dos preços da celulose, embora a expansão da capacidade na Ásia e as perspectivas mais fracas para a economia chinesa continuem limitando o potencial de alta.
Para os produtores brasileiros, a vantagem de custos e a maior competitividade da fibra curta de eucalipto ajudam a sustentar as perspectivas do setor, enquanto a disciplina financeira das empresas deve continuar sendo um dos principais vetores da estratégia até o fim de 2026.