Caso Moraes: PL mira bancada pró-impeachment; PT defende investigação
Entornos de Flávio e Lula calibram reação a revelações sobre ministro do Supremo de olho em eleições
Aliados dos candidatos à Presidência que lideram as pesquisas de intenções de voto, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), calibram reações às menções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em novo relatório sobre o caso Master.
As revelações envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já foram incorporadas ao discurso da oposição. Para aliados de Flávio, o episódio dá combustível para ampliar críticas ao ministro e a outros integrantes da Corte.
A estratégia do PL é reforçar o apelo pela eleição de uma bancada de senadores de direita e disposta a avançar com o impeachment de ministros do Supremo a partir de 2027. A avaliação é de que a insatisfação de parte do eleitorado pode se transformar em voto a seus candidatos.
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2026-09-02 09:01:09Flávio e seu entorno têm a disputa pelo Senado como uma das principais frentes da campanha. Sua mensagem ao eleitor é que não basta eleger um presidente da República de direita para alterar a correlação de forças com o Supremo. Seria necessário também ter maioria na Casa Alta.
A abertura de um processo de impeachment depende de o presidente do Senado pautá-lo. Pedidos neste sentido jamais avançaram. Uma bancada maior e alinhada à direita, na avaliação dos oposicionistas, aumentaria o custo político de ignorar essas iniciativas e daria mais força ao tema dentro do Congresso.
Nessa terça (1°), parlamentares reforçaram os pedidos de impeachment contra Moraes, com outro ofício agora na fila. Além disso, Flávio e aliados pediram a renúncia de Moraes de sua cadeira no Supremo.
Em outra frente, a estratégia de aliados de Lula é manter o discurso de que as investigações precisam seguir acontecendo “doa a quem doer”. O discurso vem sendo adotado para inquéritos que envolvem o entorno do presidente. Petistas dizem que o mandatário dá autonomia para a PF (Polícia Federal) apurar.
Em paralelo, o QG de Lula usará a retirada de sigilo da ação sobre Moraes para cobrar o ministro André Mendonça, do STF, que faça o mesmo com o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. Como a CNN mostrou, Flávio enviou um áudio a Vorcaro pedindo dinheiro para financiar a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Pessoalmente, Lula tem sido aconselhado a manter distância da queda de braço entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. A avaliação no governo petista é de que o embate é uma crise interna do Poder Judiciário e não cabe ao presidente da República se envolver.
Além disso, dirigentes petistas lembram que Mendonça é relator de investigações contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e não seria adequado ao presidente se posicionar contra o magistrado.
A avaliação no governo petista, porém, é de que se tornou inevitável que o episódio contamine o processo eleitoral e reforce a bandeira da oposição sobre críticas ao Supremo Tribunal Federal.