Cármen lamenta “descrença” e defende imposição de “busca do acerto”

Um dia após sessão histórica no STF, ministra também afirmou desconfiar de governantes e administradores públicos que criticam medidas de controle interno

Cármen lamenta “descrença” e defende imposição de “busca do acerto”
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Cármen lamenta “descrença” e defende imposição de “busca do acerto”

Um dia após sessão histórica no STF, ministra também afirmou desconfiar de governantes e administradores públicos que criticam medidas de controle interno

Gabriela Boechat, , Brasília

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), lamentou nesta quarta-feira (16) o momento de "descrença e desânimo" que a administração pública enfrenta diante da opinião popular.

Segundo a ministra, a democracia vive da confiança que o cidadão deposita nas instituições e que, apesar de os integrantes a administração pública estarem sujeitos a erros, a busca pelo acerto deve ser uma obrigação.

"A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem, nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença e de desanimo com administração pública. Como eu disse, erros são dos seres humanos, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós servidores temos para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar mais no país", disse.

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A ministra deu a declaração durante participação virtual em um encontro nacional sobre controle interno, que é o conjunto de regras e métodos criados por uma organização para assegurar que as leis e os objetivos da instituição sejam cumpridos. O evento é promovido pelo Conaci (Conselho Nacional de Controle Interno).

Na palestra, a ministra afirmou ainda que não confia em governantes e servidores públicos que desconfiam do controle interno. Para ela, neste caso, quem merece desconfiança é o próprio administrador.

A fala de Cármen ocorreu em meio à crise no STF e um dia após a sessão histórica do Supremo marcada para analisar a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As conversas entre os dois indicam que Vorcaro recorria a Moraes para pedir proteção diante da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). Como mostrou a CNN, a sessão de ontem terminou sem definição.

Logo no início do julgamento, Gilmar Mendes apresentou um pedido, denominado juridicamente de "questão de ordem", para que a sessão fosse suspensa e os pedidos de investigação contra Moraes e contra o ministro André Mendonça fossem analisados em conjunto. Mendonça foi acusado por Moraes de improbidade e de atuação seletiva nos casos Master e INSS.

O tema dominou a sessão, marcada por bate-bocas, acusações entre os magistrados e críticas a Edson Fachin, deixando em segundo plano as mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Cármen manifestou-se apenas no seu momento de voto. Ao tomar a palavra, afirmou estar em “profunda consternação e tristeza” com a situação da Corte e disse que o STF provocou um “mal-estar cívico” ao concentrar a atenção do país, às vésperas da eleição, em disputas internas e questões processuais.

Para ela, o julgamento foi marcado por uma espetacularização que acabou afastando a Corte do tema que deveria estar no centro da sessão. Cármen também pediu desculpas a Fachin e ao povo brasileiro por considerar que não conseguiu contribuir para que a situação fosse resolvida de maneira mais adequada.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/carmen-lamenta-descrenca-e-defende-imposicao-de-busca-do-acerto/