A retirada do sigilo de parte dos arquivos do inquérito do Banco Master, ocorrida nesta sexta-feira (11), mobilizou intensamente as equipes eleitorais das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com apuração da analista de política Isabel Mega, ao longo da madrugada, os times de ambos os candidatos se debruçaram sobre o material liberado, em busca de informações que possam ser exploradas na disputa eleitoral.
Mega afirmou, durante o Bastidores CNN desta sexta-feira, que a campanha de Flávio Bolsonaro assumiu um modo defensivo diante das novas informações. “A todo momento, a gente pergunta sobre uma informação e eles rebatem com alguma réplica para chamar a atenção para outro ponto em relação aos questionamentos.”
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A campanha do candidato do PL também classificou a notícia sobre a abertura de investigação contra Flávio Bolsonaro como “requentada“, argumentando que a informação já era de conhecimento público.
A âncora Tainá Falcão chamou a atenção para a preocupação da campanha de Flávio com possíveis vazamentos de ordem moral, como a participação do senador em festas promovidas por Daniel Vorcaro.
“São questões que podem abalar principalmente o voto religioso e feminino. Isso preocupa mais a campanha de Flávio Bolsonaro hoje que o próprio caso Dark Horse“, afirmou Tainá.
A analista Larissa Rodrigues afirmou que o entorno político de Flávio demonstra preocupação em calibrar o discurso, especialmente diante do fato de André Mendonça ter sido exaltado pelos bolsonaristas durante manifestação no 7 de setembro e na campanha de rádio e TV.
“A partir de agora, a preocupação é como sustentar que André Mendonça está correto nas suas investigações contra Alexandre de Moraes e como dizer que Mendonça está errado em investigar Flávio Bolsonaro”, afirmou Larissa.
PT monitora Dark Horse
O PT também acompanha de perto o desenrolar do caso. Embora a integralidade do inquérito relacionado ao filme Dark Horse ainda não tenha sido divulgada, as informações já disponíveis apontam para vínculos de Flávio e Eduardo Bolsonaro com o financiamento do filme que homenageou Jair Bolsonaro.
“Isso também acaba abastecendo a campanha petista em relação a esses fatos e vai ganhando musculatura à medida que vão saindo novos fatos a respeito de tudo isso”, destacou Mega.
Tainá observou o quanto a campanha petista se preocupa com o tema da corrupção, por conta de uma associação histórica que o eleitor costuma fazer entre o partido e casos no passado.
“O Dark Horse não preocupa tanto o entorno de Flávio quanto o tema da corrupção preocupa o time de Lula, o quanto eles se preocupam por ainda levar a culpa por essa crise interna no STF, do eleitor atrelar Moraes ao presidente Lula”, afirmou.
O âncora Gustavo Uribe destacou que o chamado “pinga-pinga” de notícias negativas sobre um candidato pode ter efeito cumulativo no humor do eleitorado.
Segundo ele, a divulgação de documentos oficiais apontando indícios de irregularidades, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, vinculados diretamente a um candidato à presidência da República, representa um fator de atenção que não pode ser subestimado.
“A gente não pode fazer uma análise precipitada de que não vai abalar. É a narrativa oficial da campanha de Flávio Bolsonaro dizer isso, mas a gente tem que observar as próximas pesquisas eleitorais para saber o impacto”, concluiu Uribe.