A necessidade de otimizar cada minuto do dia e a sensação de estar em dívida com a própria rotina são características cada vez mais comuns para a população. A exaustão decorrente dessa busca pela produtividade extrema pode ser uma porta de entrada para transtornos mentais e condições como o estresse crônico e o burnout.
Em entrevista à CNN Brasil, o psicólogo do trabalho Lucas Freire, autor do livro Exaustos, alertou que a sociedade contemporânea tem transformado a lógica do esforço em algo sutil e cotidiano.
Ele explica que há uma diferença entre o esforço e a exaustão. O esforço, por si só, pode reenergizar as pessoa, mas o esforço excesisvo e a sobrecarga roubam o tempo e o lazer de forma contínua.
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2026-09-11 13:56:09Nós estamos a serviço de uma esteira contínua de produtividade e desvaziamento da experiência. Isso se tornou um elemento cultural de uma era. Hoje em dia, tudo o que não aparenta ter uma função produtiva é rechaçado.
Lucas Freire, psicólogo do trabalho
A “metrificação” da vida
O psicólogo elenca como um dos principais motivos do esgotamento o que ele chama de “metrificação da vida”. O fenômeno se baseia na aplicação de metas, números e indicadores para medir tanto o trabalho quanto momentos que deveriam servir como formas de lazer e relaxamento.
Enquanto realiza atividades que seriam simples e divertidas, o cérebro continua trabalhando sob pressão. O especialista usa como exemplos o ato de fotografar obrigatoriamente todas as refeições, ou até a necessidade de praticar esportes, como corrida, sempre utilizando um relógio para medir o desempenho.
Aos poucos, de acordo com Lucas, os indicadores colocados empobrecem a experiência genuína, classificando o fenômeno como um “cativeiro neurológico”.
Estresse crônico e transtornos mentais
Quando constante, esse estado de alerta compromete a capacidade fisiológica do organismo de se recuperar. O estresse, que seria uma resposta natural e necessária para a população, torna-se um problema crônico.
“O estresse é uma reação natural e necessária, não existe vida sem ele. O que acontece é que a sobrecarga de estresse é a porta de entrada para os transtornos de ansiedade. E aí a gente vai ter as fobias, a depressão e a ansiedade generalizada”, diz o psicólogo.
A constante pressão de rotinas produtivas também gera o que ele chama de “stresslaxing”, a incapacidade de relaxar sem sentir um pico de ansiedade pela culpa de não fazer algo “útil”.
Além disso, se tornam comuns sintomas físicos decorrentes de inflamações corporais, como problemas gastrointestinais e queda de cabelo (alopécia).