Os Estados Unidos estão prestes a perder a liderança mundial nas exportações agrícolas para o Brasil, resultado de uma combinação de guerras comerciais, queda nos preços das commodities e mudanças estruturais no mercado global.
É o que sugere um artigo do jornal americano Financial Times, publicado nesta terça-feira (21). A reportagem cita uma “queda da superpotência agrícola da América”.
O texto se apoia em um dado recente publicado pela American Farm Bureau Federation que estima um prejuízo médio aos produtores de e US$ 341 por hectare de soja em 2027, além de perdas de cerca de US$ 413 por hectare de milho, US$ 358 por hectare de trigo e US$ 1.003 por hectare de algodão.
Recomendado para você
Como a PF desmantelou uma rede que traficava brasileiros para o Camboja?
A Polícia Federal desmantelou uma rede de tráfico de pessoas no Camboj...
2026-07-21 19:29:04'Não poder sair na rua é um absurdo', diz tutora de cão baleado durante assalto em Ribeirão Preto
Mulher relata desespero após cachorro ser baleado ao tentar de...
2026-07-21 19:22:41Teresina abre agendamento para mutirão de exames DNA-HPV; veja quem pode participar
Câncer de colo de útero: entre 2026/2028 serão quase 20 mil ca...
2026-07-21 19:20:24Enquanto isso, o Brasil se aproxima de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil.
Como as exportações brasileiras continuam crescendo — alta de 6% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 87 bilhões — analistas ouvidos pela reportagem americana avaliam que 2026 pode marcar a ultrapassagem definitiva.
O texto do Financial Times atribui parte dessa mudança às políticas comerciais de Donald Trump. A guerra tarifária iniciada em 2018 levou a China a reduzir drasticamente as compras de soja americana e ampliar as importações brasileiras.
De acordo com o jornal que ouviu economistas que já fizeram parte do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o avanço do Brasil ocorreu muito mais rapidamente do que as projeções indicavam.
Mesmo com bilhões de dólares em subsídios concedidos aos agricultores durante o primeiro mandato de Trump, muitos produtores afirmam que o problema nunca foi falta de ajuda financeira, mas sim a perda de mercados internacionais.
Eles defendem acordos comerciais, e não pagamentos diretos do governo. Produtores ouvidos pela reportagem do Financial Times relataram produzir energia no lugar de alimento, se referindo à competitividade de preço de produtos que chegam do Brasil, por exemplo.
A reportagem também mostra que a agricultura americana depende cada vez mais do mercado doméstico. Cerca de 40% da produção de milho dos EUA é destinada ao etanol, sustentada por políticas públicas e exigências de mistura de biocombustíveis. Agricultores entrevistados afirmam que hoje produzem mais energia do que alimentos.
Por outro lado, o artigo destaca que o Brasil consolidou sua posição como maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango e também ultrapassou os EUA nas exportações de algodão.
Entre os fatores apontados estão o potencial de três safras em diversas regiões, disponibilidade de terras, ganhos tecnológicos e genéticos e expansão de produção em Mato Grosso, polo de cultivo de grãos.
Outro efeito observado é a concentração fundiária. Fazendas menores desaparecem e são incorporadas por propriedades maiores, reduzindo o número de famílias no campo e enfraquecendo comunidades rurais, escolas, igrejas e o comércio local.
No Brasil, o movimento é oposto: cidades como Sorriso (MT) e Lucas do Rio Verde (MT) cresceram impulsionadas pelo agronegócio, embora essa expansão também traga preocupações ambientais, especialmente relacionadas ao desmatamento e à infraestrutura insuficiente.
O texto conclui que a disputa entre Brasil e Estados Unidos deixou de ser apenas econômica e passou a ter implicações geopolíticas.
Agricultores americanos afirmaram ao jornal americano que os compradores internacionais agora recorrem aos EUA apenas quando o Brasil enfrenta problemas de oferta.
Muitos ainda apoiam Donald Trump, mas demonstram preocupação crescente com a falta de resultados concretos da estratégia comercial e com o enfraquecimento da competitividade agrícola americana diante do avanço brasileiro.