A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu discussões sobre os impactos psicológicos enfrentados pelos atletas após uma derrota decisiva. O Brasil perdeu por 2 a 1 no MetLife Stadium e deu adeus ao torneio, ampliando o período sem títulos mundiais desde 2002.
Além do resultado, um dos momentos mais marcantes da partida foi o pênalti desperdiçado pelo meio-campista Bruno Guimarães, defendido pelo goleiro Nyland ainda no primeiro tempo.
Após lances como esse, é comum que jogadores sejam apontados como “culpados” pela eliminação, cenário que pode provocar consequências emocionais importantes.
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2026-07-06 20:22:49À CNN Brasil, o psicólogo esportivo João Ricardo Cozac, Ph.D. em Psicologia do Esporte e presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, explicou como o cérebro reage nas primeiras horas após uma derrota desse porte.
Segundo o especialista, o período inicial é marcado por um estado de choque emocional. O cérebro tem dificuldade para processar o encerramento de um objetivo para o qual o atleta se preparou durante meses ou anos.
“Do ponto de vista neuropsicológico, ocorre uma intensa ativação nas estruturas cerebrais relacionadas ao estresse, especialmente a amígdala cerebral. Em contrapartida, áreas responsáveis pelo raciocínio e análise lógica, como o córtex pré-frontal, passam a funcionar com menor eficiência”, afirma.
De acordo com Cozac, esse processo ajuda a explicar reações como choro, incredulidade, irritação e entrevistas concedidas sob forte carga emocional logo após o fim da partida.
Além da frustração esportiva, o jogador também precisa lidar com a repercussão pública do desempenho.
“Existe um componente social muito importante. O jogador sabe que milhões de pessoas assistiram ao jogo e que, nas próximas horas, sua atuação será analisada, julgada e amplamente comentada”, diz.
O peso da culpa
Quando um atleta acredita que um erro individual foi determinante para a eliminação, pode surgir um mecanismo conhecido como “pensamento contrafactual”.
Segundo Cozac, o jogador passa a revisitar mentalmente o lance repetidas vezes, imaginando desfechos diferentes e questionando quais decisões poderiam ter evitado a derrota.
“O perigo é que cada repetição mental fortalece a memória emocional daquele episódio, tornando a lembrança ainda mais intensa”, explica.
Retorno aos clubes
Com o fim da participação brasileira na Copa do Mundo, os jogadores voltam aos seus clubes, muitos deles na Europa. Segundo o psicólogo, esse retorno pode ser acompanhado de dificuldades emocionais que afetam o desempenho esportivo.
Entre elas está a chamada “hipervigilância”, caracterizada pelo excesso de monitoramento das próprias ações durante as partidas.