Brasil e Estados Unidos enfrentam sucessão de atritos; veja análise

Governo brasileiro repudia decisão americana de revogar visto da embaixadora Maria Luísa Viotti em meio a escalada de atritos bilaterais

Brasil e Estados Unidos enfrentam sucessão de atritos; veja análise
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O governo brasileiro repudiou formalmente a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira naquele país, Maria Luísa Viotti.

Em nota, o Palácio do Planalto classificou a ação como parte de “uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas”, aprofundando a crise diplomática entre Brasília e Washington. A revogação ocorreu cerca de dez dias após o Brasil negar vistos a dois funcionários do governo norte-americano.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a negativa se deu porque os funcionários viriam ao país para verificar a lisura do processo eleitoral brasileiro — o que o governo brasileiro considerou inaceitável e interpretou como tentativa de interferência nas próximas eleições para a presidência da República.

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Disputa em torno do “agrément” do novo embaixador

A crise ganhou novos contornos com a questão do agrément do indicado ao posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Daniel Pérez. Fontes da Casa Branca afirmaram que a revogação do visto de Viotti foi uma medida de reciprocidade diante da demora do Brasil em conceder o aceite formal à indicação de Pérez.

O Departamento de Estado condicionou a devolução do visto da embaixadora brasileira à concessão desse agrément.

O Palácio do Planalto, por sua vez, argumentou em nota que o processo de agrément não possui prazo definido pela Convenção de Viena para ser concluído, e que a análise do nome de Daniel Pérez já estava em andamento.

O governo brasileiro ressaltou ainda que o nome do indicado veio a público antes mesmo do encerramento da consulta sigilosa, o que contraria o protocolo diplomático habitual.

Lula critica decisão americana como “irresponsável”

Lula comentou o episódio em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, classificando a atitude do governo dos Estados Unidos como “irresponsável” e “impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática”.

A nota do Planalto também qualificou as justificativas apresentadas pelos norte-americanos como falsas e atribuiu as medidas tomadas a razões ideológicas incompatíveis com a parceria bilateral histórica entre os dois países.

Analista vê crise sem solução até as eleições

O analista de Política da CNN Caio Junqueira avaliou que a crise se encontra em “patamar alto”, sendo grave, séria e sem previsão de resolução no curto prazo.

Segundo ele, tanto o Palácio do Planalto quanto a Casa Branca aguardam o resultado das eleições brasileiras para decidir os próximos passos. “Até lá, a nossa relação com os americanos fica da forma como está”, afirmou Junqueira.

O analista ponderou ainda que há um componente de política doméstica influenciando a postura do governo brasileiro. “Para a campanha de reeleição, o confronto com o Trump dá voto na política doméstica”, disse.

No entanto, Junqueira destacou que o caso específico da embaixadora foi visto como algo que “cruzou a linha do aceitável”, indo além do cálculo eleitoral. Ele alertou ainda para o receio no Itamaraty e no Palácio do Planalto de que novas provocações possam surgir, com o objetivo de interferir no processo eleitoral brasileiro.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/brasil-e-estados-unidos-enfrentam-sucessao-de-atritos-veja-analise/