A interrupção das compras chinesas de carne bovina brasileira já provoca reflexos nas operações da Beauvallet Brasil. Instalada em Inhumas (GO), a empresa afirma que a ausência do principal comprador internacional obrigou a reduzir o ritmo de abates e acendeu um alerta sobre a necessidade de diversificar mercados.
Segundo o presidente da Beauvallet Brasil, Charles Léguille, a China responde por cerca de 40% a 50% das exportações da companhia. Com o encerramento da cota destinada ao Brasil, o frigorífico precisou redirecionar parte da produção para o mercado interno.
“É difícil mensurar porque estamos no primeiro mês realmente sem China, mas o impacto é muito forte. Tivemos que reduzir o abate e talvez seja necessário reduzir ainda mais. Isso criou uma instabilidade muito grande”, afirmou.
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2026-07-24 08:00:13Apesar do cenário, Léguille afirma que o mercado doméstico tem sido fundamental para amortecer os impactos da queda das exportações. Segundo ele, a empresa sempre buscou manter equilíbrio entre vendas internas e externas justamente para enfrentar momentos de volatilidade internacional.
Para o executivo, o maior desafio não é apenas a existência das cotas chinesas, mas a forma como elas são utilizadas. Como o limite anual é rapidamente preenchido, as indústrias concentram os embarques no primeiro semestre e ficam sem alternativas nos meses seguintes.
“O ideal seria um mecanismo de distribuição das cotas ao longo do ano, dando previsibilidade para toda a cadeia. Trabalhar muito durante seis meses e depois parar não é saudável para ninguém”, disse.
Léguille cita o modelo adotado pelo Uruguai como exemplo. Segundo ele, a divisão das cotas entre os frigoríficos, coordenada pelo governo, garante maior estabilidade para produtores e indústrias.
Na avaliação do executivo, essa solução seria mais eficiente do que medidas emergenciais, como programas de lay-off ou linhas especiais de financiamento.
“Em vez de pedir ajuda depois que a crise acontece, é melhor construir um sistema que evite a paralisação das plantas”, afirmou.
O presidente também destacou o papel da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) nas negociações com o governo federal para buscar alternativas que reduzam os impactos da perda do mercado chinês e ampliem o acesso da carne brasileira a novos destinos.