Bancos enfrentam pressão da inadimplência em cenário de juros elevados
Aumento dos atrasos no pagamento de dívidas afeta resultados dos bancos e reforça importância de avaliar solidez das instituições antes de investir
O aumento da inadimplência chamou a atenção do mercado após a divulgação dos resultados do Santander Brasil, que vieram abaixo das expectativas e provocaram forte reação nas ações do banco.
O movimento vem sendo acompanhado de perto pelos investidores, diante do impacto dos juros elevados sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas e, consequentemente, sobre o desempenho das instituições financeiras.
Com o crédito mais caro, cresce o número de atrasos e calotes, obrigando os bancos a reforçarem as provisões para perdas com devedores duvidosos. Isso reduz a rentabilidade das instituições.
De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o mercado tem sido cada vez mais seletivo na análise dos resultados do setor bancário.
“Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência”, observa Marilia.
Segundo ela, a leitura dos investidores vai além dos números de um único trimestre e considera a capacidade de cada instituição de atravessar um período prolongado de crédito restritivo.
Juros elevados pressionam toda a cadeia
A alta inadimplência é consequência de um ambiente econômico marcado por juros reais elevados, que afetam tanto pessoas físicas quanto empresas, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
“O grande desafio é uma bola de neve que cresce na economia brasileira e isso aumenta a dificuldade de famílias e empresas honrarem suas dívidas. O aumento dos pedidos de recuperação extrajudicial e da inadimplência são sintomas desse mesmo cenário”, destaca.
Recomendado para você
Passageiros do Alto Tietê enfrentam filas e mudanças de trajeto no 2º dia de greve da CPTM
Greve da CPTM causa transtornos aos moradores do Alto Tietê A ...
2026-08-05 09:15:59Dólar abre em queda, à espera da nova decisão de juros do BC e de olho no Oriente Médio
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar abriu...
2026-08-05 09:00:08EUA e Irã divergem sobre negociações; entenda o cenário atual
Trump fala em reabertura iminente do Estreito de Ormuz, mas Teerã nega...
2026-08-05 07:50:42Embora os resultados mais fracos possam pressionar as ações de algumas instituições financeiras, a apresentadora ressalta que isso não significa, necessariamente, um aumento do risco para quem investe em produtos como CDBs.
“Não significa que o Santander seja um banco arriscado ou que o investidor evite seus CDBs. Tanto que, poucos dias depois da divulgação do resultado, o Santander global anunciou a intenção de comprar ações do Santander Brasil com prêmio sobre o preço de mercado, o que foi interpretado como um sinal de confiança de que essa piora é passageira”, afirma Fontes.
Ainda assim, ela reforça que a análise de crédito continua sendo um passo importante antes de investir em títulos emitidos por instituições financeiras.
“Quando o investidor escolhe um CDB, por exemplo, é importante avaliar a qualidade de crédito da instituição emissora e não apenas a rentabilidade oferecida”, complementa.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.