Audiência do USTR é uma investigação unilateral, diz ex-embaixador

Ex-embaixador avalia que tarifa de 25% sobre produtos brasileiros dificilmente será revertida e que argumentos técnicos terão pouco efeito

Audiência do USTR é uma investigação unilateral, diz ex-embaixador
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Audiência do USTR é uma investigação unilateral, diz ex-embaixador

Ex-embaixador avalia que tarifa de 25% sobre produtos brasileiros dificilmente será revertida e que argumentos técnicos terão pouco efeito

O segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) começou nesta terça-feira (7), reunindo representantes do setor produtivo e do governo americano para debater as tarifas de 25% impostas aos produtos brasileiros.

O ex-embaixador Rubens Barbosa avaliou o cenário com ceticismo, classificando o processo como uma investigação unilateral do governo americano.

"Não sou muito otimista em relação ao resultado"

Rubens Barbosa foi categórico ao afirmar que o processo não se trata de uma negociação entre os governos brasileiro e americano.

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"Isso é uma investigação unilateral feita pelo governo americano que começou o ano passado", declarou.

Segundo ele, todos os argumentos técnicos e políticos em defesa dos produtos brasileiros já foram apresentados em sessão semelhante realizada no ano anterior e não foram levados em consideração, resultando mesmo assim no anúncio da tarifa de 25%.

Barbosa alertou ainda para a existência de uma segunda investigação, relacionada a produtos importados de países com trabalho escravo, que poderia acrescentar mais 12,5% às tarifas já anunciadas, chegando a um total de 37,5%.

Ele ressaltou que a audiência atual envolve mais de 70 países e não é uma medida direcionada exclusivamente ao Brasil.

"Isso não é contra o Brasil, isso é contra o mundo inteiro", afirmou.

Base jurídica para tarifas já decididas

Na avaliação de Barbosa, a investigação em curso tem um objetivo claro: substituir uma tarifa anterior que foi derrubada pela Suprema Corte americana por uma nova tarifa com respaldo legal.

"Essa investigação tem um objetivo: substituir uma tarifa que foi derrubada pela Suprema Corte por outra tarifa legal que não pode ser contestada", explicou.

Por essa razão, alguns países europeus optaram por não enviar representantes à audiência, por entenderem que o resultado já está previamente definido.

Apesar do pessimismo geral, Barbosa não descartou completamente a possibilidade de exceções pontuais para alguns produtos, como o café solúvel, caso empresas brasileiras consigam demonstrar impacto negativo sobre consumidores ou empresas americanas.

No entanto, ressaltou que tais concessões seriam "muito limitadas" e não alterariam de forma significativa o quadro das exportações brasileiras, que já recuaram para menos de 10% do total exportado pelo Brasil ao mundo.

Participação de Flávio Bolsonaro e ofício do Itamaraty

Questionado sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro no segundo dia de audiências, Barbosa foi direto: "Eu acho que não vai ter nenhum efeito".

Para ele, a apresentação tem caráter voltado ao público interno brasileiro e servirá para rebater acusações de que a família Bolsonaro estaria na origem das tarifas.

"São cinco minutos que ele vai falar, vai deixar um documento lá, que vai ser usado aqui para se defender das acusações", disse.

Barbosa também comentou o ofício enviado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados, no qual o Ministério das Relações Exteriores alertou para possíveis implicações — inclusive militares — decorrentes da classificação de organizações como o Comando Vermelho e o PCC como terroristas pelos Estados Unidos.

O ex-embaixador considerou improvável qualquer ação militar americana em território brasileiro, comparando a situação com o caso do México, onde nenhuma intervenção ocorreu apesar de dez organizações terem sido classificadas como terroristas.

"No caso do Brasil, eu pessoalmente acho que dificilmente será feita qualquer ação militar contra o PCC ou o Comando Vermelho em território nacional", afirmou.

Para Barbosa, o tom do ofício reflete a posição do governo brasileiro, influenciada por "pressupostos ideológicos" e pelo contexto político interno às vésperas das eleições.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/audiencia-do-ustr-e-uma-investigacao-unilateral-diz-ex-embaixador/