Atendimento aos povos indígenas vai além dos sintomas, diz médica

Médica destaca a importância de entender a linguagem e o contexto de pacientes de diferentes culturas para evitar diagnósticos incorretos

Atendimento aos povos indígenas vai além dos sintomas, diz médica
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Atendimento aos povos indígenas vai além dos sintomas, diz médica

Médica destaca a importância de entender a linguagem e o contexto de pacientes de diferentes culturas para evitar diagnósticos incorretos

Larissa Soave, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo

Como um país com mais de 270 línguas faladas por etnias originárias, o Brasil enfrenta desafios no atendimento médico a populações indígenas que vão além do diagnóstico tradicional. Realizar uma anamnese eficaz nesses casos exige reconhecer que os conceitos de saúde, doença e cura variam de acordo com a cultura de cada paciente.

Entre diferentes povos originários, a saúde está integrada ao equilíbrio entre corpo, comunidade, espiritualidade e território, a exemplo dos Parkatêjê, que expressam essa busca pelo conceito de Atỳi, associado ao "bem viver".

Aline Diniz, médica indígena da etnia Nawa e docente da Afya, afirma que compreender a linguagem e o contexto do paciente é determinante na avaliação clínica.

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Tive uma paciente que descreveu uma forte dor de cabeça como 'ficar doida'. Se eu tivesse interpretado essa expressão literalmente, poderia ter chegado a uma compreensão equivocada da queixa. Foi a partir da construção de vínculo e de uma escuta mais aprofunda que consegui compreender o significado que ela atribuía ao sintoma e direcionar melhor a avaliação clínica.

Ela também destaca a importância de evitar a generalização das etnias no atendimento, já que tratar diferentes povos como se tivessem a mesma cultura ou necessidades gera desconfiança e pode resultar em diagnósticos mal aceitos.

Para a médica, o conhecimento prévio e a sensibilidade cultural devem ser estimulados ainda na graduação, preparando  profissionais para oferecer um cuidado adaptado à realidade de cada território.

A escuta como prevenção de crises

O cuidado com a diversidade resulta em atendimento de qualidade, necessário para evitar crises sanitárias como a enfrentada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, há três anos.

Em janeiro de 2023, o governo declarou "Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional" devido à desassistência sanitária dos povos que viviam no território Yanomami.

Os indígenas foram encontrados desnutridos e infectados por doenças. Entre os dias 24 e 27 de dezembro de 2022, três crianças morreram por malária e o ano inteiro registrou 11.530 casos pela doença.

Essa crise tem apresentado reduções significativas neste ano. Segundo dados do Ministério da Saúde, as mortes por desnutrição caíram 75,7% no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2023.

Ainda segundo a pasta, entre janeiro e junho de 2026, foram confirmados 6,8 mil casos de malária, redução de 50,6% em relação ao mesmo período de 2023. No primeiro semestre deste ano, não houve registro de mortes pela doença.

Por outro lado, óbitos por infecção respiratória aguda apresentaram redução de 40,8% nestes três anos.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/atendimento-aos-povos-indigenas-vai-alem-dos-sintomas-diz-medica/