A Apple treinou um grande modelo de linguagem especificamente para o mercado chinês, segundo três pessoas a par do assunto. A iniciativa representa uma mudança na estratégia da fabricante do iPhone, que vinha recorrendo a modelos de terceiros para alimentar os recursos de inteligência artificial no país.
O modelo de IA foi desenvolvido em parceria com o Alibaba Group e treinado com o apoio da gigante chinesa de tecnologia, afirmaram as fontes, que preferiram não se identificar porque as informações são confidenciais e não são de domínio público.
A Apple ainda não havia divulgado que estava treinando seu próprio modelo específico para a China. Até então, a empresa vinha recorrendo aos modelos de parceiros locais para levar a IA generativa aos iPhones e a outros dispositivos vendidos no país. Modelos norte-americanos, como o Claude, da Anthropic, e o ChatGPT, da OpenAI — que a Apple combina com sua própria tecnologia em outros mercados — não estão disponíveis na China.
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2026-08-14 20:22:53A Apple e o Alibaba não responderam aos pedidos de comentários.
Espera-se que o Apple Intelligence, conjunto de ferramentas de IA da empresa, seja lançado na China nos próximos meses, após uma atualização do sistema operacional iOS, segundo as fontes.
Um modelo próprio adaptado para a China daria à Apple maior controle sobre a experiência de IA em seu mercado internacional mais competitivo, onde a empresa perdeu espaço para rivais locais, incluindo a Huawei, que avançaram rapidamente com aparelhos equipados com recursos de inteligência artificial.
O plano de implantação da Apple representa uma estratégia de dupla abordagem para a implementação de IA por uma empresa estrangeira na China. A medida permitiria à companhia contornar os obstáculos regulatórios que têm limitado o acesso de muitas outras empresas de tecnologia dos Estados Unidos ao mercado chinês.
Isso também tornaria a Apple a primeira empresa estrangeira aprovada por Pequim a oferecer um modelo proprietário de IA na China, marcando uma rara colaboração entre empresas de tecnologia americanas e chinesas em meio à crescente ruptura comercial e diplomática entre os dois países na área de inteligência artificial.
Obstáculos regulatórios superados, mas a incerteza permanece
A iniciativa vem na sequência de um longo processo regulatório que chegou ao fim no mês passado, quando a Administração do Ciberespaço da China, órgão regulador da internet no país, registrou o serviço de IA generativa da Apple, abrindo caminho para que o Apple Intelligence chegue aos iPhones chineses pela primeira vez.
De acordo com o acordo, o modelo Qwen, do Alibaba, será incorporado à versão do Apple Intelligence pré-instalada em modelos compatíveis de iPhone, iPad, Mac e Vision Pro na China. O serviço também deve incorporar tecnologia da Baidu, conforme informou a Reuters em julho.
Na semana passada, a Apple publicou um guia em chinês explicando como usuários qualificados de Mac na China continental poderiam conectar o Qwen ao assistente digital Siri e ao recurso “Ferramentas de Escrita”. A iniciativa, específica para Mac, poderia ajudar a empresa a competir no mercado chinês de computadores com IA. Desde então, a Apple excluiu o guia, sem fornecer nenhuma explicação.
As ações do Alibaba listadas nos Estados Unidos subiram cerca de 4% nas negociações de pré-mercado com a notícia do registro em julho, reforçando as expectativas dos investidores de que a parceria possa remodelar o ecossistema de IA da China.
Apple aposta na IA para ganhar impulso na China
A parceria da Apple com o Alibaba foi confirmada pela primeira vez em fevereiro de 2025, quando o presidente do Alibaba, Joe Tsai, afirmou, durante a Cúpula Mundial de Governos, em Dubai, que a Apple usaria a IA da empresa chinesa para equipar seus smartphones na China.
“Eles conversaram com várias empresas na China. No fim, optaram por fazer negócios conosco”, disse Tsai na época. O lançamento foi posteriormente adiado enquanto a Apple trabalhava para adaptar seus recursos às regulamentações chinesas.
A China continua sendo fundamental para o sucesso da Apple, representando uma parcela significativa de sua receita. A ausência de recursos de IA nos iPhones vendidos no país vinha sendo apontada como um fator que prejudicava as vendas, já que os consumidores se voltavam para marcas nacionais que ofereciam assistentes de IA integrados.
Ainda não está claro qual será o papel do modelo treinado pela própria Apple ao lado dos modelos chineses de terceiros e como eles funcionarão em conjunto.