A Anthropic divulgou esta semana um experimento no qual a inteligência artificial Claude desenhou do zero componentes capazes de se ligar a alvos biológicos, uma etapa fundamental na criação de novos medicamentos.
Os testes alcançaram uma taxa de sucesso de até 35,1%, superando com folga a média habitual do setor de biotecnologia, que varia entre 10% e 15%.
A Anthropic realizou a pesquisa científica utilizando as versões Mythos Preview e Opus 4.8 da plataforma. A ferramenta trabalhou de forma autônoma durante sessões de 24 a 48 horas, pesquisando alvos biológicos e combinando softwares para gerar os projetos das moléculas.
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2026-08-20 19:36:05Os laboratórios independentes Adaptyv Bio e Twist Bioscience produziram e testaram na prática 1.320 estruturas desenhadas pelo sistema. A tecnologia criou moléculas funcionais contra 14 de um total de 15 alvos biológicos analisados, incluindo proteínas associadas a processos inflamatórios.
A estrutura mais eficiente desenhada pelo Claude apresentou uma capacidade de encaixe quase doze vezes mais forte do que a proposta humana vencedora de um desafio científico recente.
A desenvolvedora pretende expandir o uso do sistema para administrar todas as etapas de criação de um remédio. A ideia é disponibilizar um programa para que cientistas ao redor do mundo possam utilizar a plataforma em pesquisas.
O que pode mudar na vida das pessoas?
- Remédios desenvolvidos mais rápido: a busca por uma molécula capaz de se encaixar na doença e bloqueá-la leva meses ou anos de testes manuais. O sistema quer realizar essa seleção digital em dias.
- Foco em doenças raras: a criação tradicional de remédios custa bilhões de dólares, o que faz a indústria focar em doenças que afetam milhões de pessoas. A redução do tempo e dos custos pode tornar viável mais pesquisas de tratamentos para enfermidades raras.
- Menos efeitos colaterais: as moléculas criadas pela plataforma mostraram um encaixe mais firme com as proteínas do corpo. Um encaixe preciso permite produzir medicamentos eficazes em doses menores, reduzindo os efeitos colaterais nos pacientes.
- Análise de exames em minutos: além de criar moléculas, o Claude provou ser capaz de analisar a pureza de substâncias químicas em cerca de 20 minutos, o trabalho é repetitivo e leva dias para os laboratórios.
A Anthropic reforça, em seu site oficial, que a criação dessas moléculas representa apenas a etapa inicial de um processo longo e rigoroso.
A empresa destaca que “projetar um ligante de alta afinidade é apenas o primeiro passo no desenvolvimento de uma molécula com propriedades medicamentosas” e que “desenvolver o próprio remédio é só uma das muitas fases necessárias para estabelecer que ele seja seguro e eficaz antes de torná-lo disponível às pessoas”.
O experimento integra uma estratégia mais ampla da Anthropic no setor de biotecnologia.
Em junho, a desenvolvedora lançou o Claude Science para consolidar ferramentas de pesquisa e dar acesso a mais de 60 bancos de dados científicos em uma única plataforma.
Além disso, a companhia também comprou a startup de biotecnologia Coefficient Bio por cerca de US$ 400 milhões, segundo reportagem publicada no The Information.