Angola tem vasto potencial agrícola inexplorado

País africano possui cerca de 35 milhões de hectares com potencial, mas apenas 6 milhões estão em produção e 2% são irrigados

Angola tem vasto potencial agrícola inexplorado
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Angola tem vasto potencial agrícola inexplorado

País africano possui cerca de 35 milhões de hectares com potencial, mas apenas 6 milhões estão em produção e 2% são irrigados

Fernanda Pressinott, , São Paulo

Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios para conhecer oportunidades de investimento em Angola. A aposta é transformar a aproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em negócios, investimentos e produção local. E o agronegócio está no centro dessa estratégia.

Angola possui cerca de 30 milhões de hectares disponíveis para a atividade agrícola, segundo dados apresentados pelo governo angolano. As áreas visitadas por produtores brasileiros apresentam, em algumas regiões, características semelhantes às encontradas no Cerrado brasileiro, com semelhanças de solo, clima, relevo, altitude e disponibilidade de água. 

Dados mais recentes do governo angolano indicam cerca de 35 milhões de hectares de potencial agrícola e aproximadamente 6 milhões de hectares atualmente em produção. Apenas cerca de 2% da área cultivada é irrigada. 

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O potencial de expansão, portanto, é enorme. Angola produz aproximadamente *3,3 milhões de toneladas de milho por ano, mas ainda busca aumentar a produção para reduzir a dependência externa. No arroz, a produção nacional gira em torno de 50 mil toneladas, enquanto a necessidade do mercado é estimada entre 300 mil e 350 mil toneladas. 

O país também importa trigo e carnes, especialmente frango. Para o Brasil, isso cria uma oportunidade que combina produção, comércio e investimento. 

O Brasil pode vender mais do que commodities 

Esse é um dos pontos que tornam o movimento estratégico, segundo João Doria Junior, co-chairman do Lide e ex-governador de São Paulo.  Segundo ele, o governo angolano quer atrair empresas brasileiras não apenas para exportar frango e ovos ao país, mas também para *instalar unidades produtivas em território angolano. 

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne de frango e também ocupa posição de liderança na produção e exportação de ovos. A ideia, segundo Doria, é aproveitar essa experiência para ajudar a ampliar a oferta local de alimentos. 

“Há um interesse real do governo angolano para que as empresas brasileiras que atuam nesse setor não só exportem para cá, dentro da chamada segurança alimentar, como também implementem essas empresas aqui em território angolano”, afirmou. 

Para Doria, a presença produtiva brasileira pode gerar também empregos e desenvolvimento local. Ele ressalta que as grandes empresas brasileiras já passaram por um processo de internacionalização e, em muitos casos, possuem unidades produtivas fora do país. 

O Brasil já é um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, mas sua relação comercial com Angola ainda é pequena. Em 2024, o Brasil exportou US$ 347 milhões em produtos do agronegócio para Angola, principalmente carne bovina e açúcar. 

A proposta agora é ampliar essa relação para além da venda de produtos. "Um produtor brasileiro que se instala em Angola pode demandar máquinas brasileiras, sementes, fertilizantes, defensivos, sistemas de irrigação, armazenagem e serviços. A produção também pode gerar demanda por logística, processamento e comercialização", disse Kátia Abreu. 

É uma espécie de exportação do ecossistema do agronegócio brasileiro. Para Angola, o ganho esperado é aumentar a produção doméstica, gerar empregos e reduzir a necessidade de importar alimentos. 

Para o Brasil, o mercado potencial é muito maior do que o valor atual das exportações. 

Segurança jurídica é um dos testes 

Mas o potencial não elimina os riscos. Um dos principais pontos de atenção para o investidor estrangeiro é a segurança jurídica. 

Em Angola, a terra pertence ao Estado e os projetos agrícolas dependem de concessões. Para Kátia Abreu, esse é um dos pontos que precisam amadurecer para que o país consiga atrair investimentos privados de longo prazo. “A terra retorna aos estados, mas você tem a concessão. E essa concessão pode ser cassada, pode ser expropriada”, afirmou. 

Para ela, o desenvolvimento depende da criação de um ambiente em que o setor privado tenha segurança para colocar capital em projetos que podem levar anos para atingir escala. 

A lógica defendida pela ex-ministra é de complementaridade entre Estado e empresas. “O público tem que fazer onde o privado não quer. Essa é a lógica.” 

O desafio também é brasileiro 

A abertura de uma nova fronteira na África, porém, depende de uma mudança não apenas nos países africanos, mas também nas empresas brasileiras. 

Gianetti avalia que o Brasil ainda tem dificuldade para internacionalizar seus negócios. O país construiu uma forte cultura exportadora de commodities, mas tem menos tradição em levar empresas, capital e produção para outros países. 

Para ele, a evolução desse movimento ocorreu de forma lenta e a própria cultura empresarial brasileira ainda é pouco voltada para investimentos produtivos no exterior 

Agora é a vez de além de vender apenas produtos acabados, participar da produção local, criar cadeias de fornecedores, transferir tecnologia e atender ao crescimento do mercado africano a partir do próprio continente. 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/angola-tem-vasto-potencial-agricola-inexplorado/