A cúpula nacional do PP (Partido Progressistas) comunicou à senadora Tereza Cristina (PP-MS) que o partido se manterá neutro na disputa presidencial de 2026, recusando o convite feito por Flávio Bolsonaro para que ela integrasse sua chapa como candidata a vice-presidente. Segundo o analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao Hora H, a decisão representa uma vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujos operadores políticos atuaram ativamente para garantir essa neutralidade.
O convite que “faltou combinar com o partido”
Conforme Pedro Venceslau, houve um certo jogo de cena em torno do episódio.
Tereza Cristina, inicialmente resistente ao convite, acabou aceitando o chamado feito diretamente por Flávio Bolsonaro. No entanto, a articulação não seguiu o caminho institucional esperado.
Recomendado para você
Lula diz que metade do Senado está “apodrecida” em meio a atritos com Alcolumbre
Lula criticou a atual composição do Senado e defendeu a eleição de mai...
2026-07-31 22:59:44'Enquanto eu viver, a extrema-direita não voltará a governar este país', diz Lula em convenção do PT no Ceará
Presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (31), que não permi...
2026-07-31 22:47:28Tebet diz não ter interesse em ser ministra novamente caso Lula se reeleja: 'Já ocupei essa missão'
Simone Tebet discursa na convenção estadual do PSB, na Alesp P...
2026-07-31 21:47:15“Em vez de passar primeiro pelo partido para depois fazer o convite para a Tereza Cristina, o Flávio falou com a Tereza Cristina, criando assim um fato político”, explicou o analista.
Após o aceite da senadora, ainda seria necessário o aval do PP e, em seguida, do União Brasil — partido com o qual o PP forma uma federação. Como os dois partidos compõem uma federação, nenhuma decisão unilateral poderia ser tomada sem a concordância de ambos.
O União Brasil chegou a realizar uma consulta aos diretórios estaduais como gesto de deferência a Flávio, mas a decisão pela neutralidade, segundo Venceslau, já havia sido tomada anteriormente.
Cálculo político do Centrão
A avaliação interna dos dois partidos levou em conta os riscos de um apoio formal a Flávio Bolsonaro. Pedro Venceslau destacou que uma aliança com o candidato geraria “um mal-estar muito grande com os diretórios desses dois partidos na região Nordeste”.
Como exemplo, citou o caso de Lucas Ribeiro, candidato a governador da Paraíba pelo PP, em aliança com o PT e o PSB.
“A leitura dentro dos dois partidos é que não valia a pena esse desgaste político para um candidato que, nesse momento, na leitura do Centrão, não apresenta expectativa de poder”, afirmou o analista.
Além disso, a neutralidade permite que PP e União Brasil preservem seus espaços na máquina pública. Venceslau lembrou que os dois partidos ainda controlam ministérios e estatais no atual governo.
“Eles estão no governo, mantêm os seus feudos nos ministérios que eles tinham antes, com outros nomes, nas estatais e etc.”, disse.
Dessa forma, os partidos ficam bem posicionados para negociar tanto com Lula, em caso de eventual quarto mandato, quanto com Flávio Bolsonaro, caso ele vença a eleição.
Impacto na disputa eleitoral
Para o governo, a neutralidade do Centrão representa um ganho estratégico relevante. Segundo Pedro Venceslau, os operadores políticos do Palácio do Planalto e do PT vinham atuando ativamente para garantir esse resultado.
A ausência de apoio formal do PP e do União Brasil a Flávio Bolsonaro impede que o adversário tenha “paridade de armas no palanque eletrônico, que é o horário eleitoral na televisão”, explicou o analista.
Venceslau também avaliou que, mesmo em um eventual segundo turno, é pouco provável que os dois partidos se engajem de forma contundente na campanha de Flávio Bolsonaro.
“Uma liderança aqui, outra ali, certamente vai tomar partido. Mas o conjunto da obra, os dois partidos juntos, eles são muito pragmáticos. Historicamente, o Centrão não toma decisões sem pensar antes nas consequências que ela pode ter”, concluiu.