Análise: Mudança na mistura da gasolina com etanol preocupa indústria

Pedro Côrtes analisa medida conhecida como E32, que entra em vigor em 1º de agosto e levanta dúvidas sobre impacto em veículos não adaptados;

Análise: Mudança na mistura da gasolina com etanol preocupa indústria
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Análise: Mudança na mistura da gasolina com etanol preocupa indústria

Pedro Côrtes analisa medida conhecida como E32, que entra em vigor em 1º de agosto e levanta dúvidas sobre impacto em veículos não adaptados;

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, elevando o percentual de 30% para 32%. A medida, denominada E32, passa a valer a partir do dia 1º de agosto, com validade inicial de seis meses e possibilidade de prorrogação.

A medida, no entanto, levanta preocupações. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) manifestou objeções, alertando que nem todos os automóveis estarão adequadamente adaptados ao novo percentual de etanol.

"Isso se dá principalmente com carros importados, que não foram adaptados, e também em uma parte importante da frota de motocicletas e scooters, que utilizam gasolina e não estariam adequadas ao aumento dessa mistura", explicou o analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes, durante o Live CNN desta quarta-feira (15).

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A justificativa apresentada pelo governo é que a mudança contribuirá para reduzir a importação de gasolina e de petróleo, mantendo os preços dos combustíveis em um patamar mais favorável.

Côrtes destaca que, com cerca de 79% da frota composta por veículos flex, o aumento de 2 pontos percentuais não representa alteração de desempenho para uma ampla maioria dos motoristas brasileiros.

"Para esses 79%, esse aumento representa uma mudança muito pequena, que, na verdade, até melhora o desempenho e reduz um pouco o consumo", destacou o analista.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a participação dos veículos flex na frota nacional deve se manter em torno de 76% até 2035. A possível queda se deve à projeção do crescimento da frota de veículos eletrificados, que hoje é de 2%.

O problema da mudança, segundo Côrtes, se concentra principalmente nos carros movidos somente a gasolina, que atualmente representam 11% da frota nacional. "Há também as motos e scooters que podem ter prejuízo no seu desempenho e na durabilidade dos seus equipamentos", observou Côrtes.

Em relação ao diesel, a medida não traz nenhuma alteração, mas o analista lembrou que o governo sinalizou a intenção de aumentar a proporção de biodiesel no diesel refinado, sem que haja ainda qualquer decisão formal a esse respeito.

Vantagens econômicas e ambientais

Segundo Côrtes, há atualmente um excedente de etanol disponível no mercado, com preços em queda, o que torna a mistura vantajosa do ponto de vista econômico.

Além dos impactos na balança comercial, o analista observa que a medida traz benefícios ambientais relevantes. "O etanol é um combustível de fonte renovável, que não acumula gases de efeito estufa na atmosfera", explicou o analista.

Ele acrescentou que o nível de emissão de poluentes do etanol é menor do que o dos combustíveis fósseis, gerando ganhos ambientais adicionais.

 

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/auto/analise-mudanca-na-mistura-da-gasolina-com-etanol-preocupa-industria/