Análise: Irã enviou comandantes e mísseis para Houthis no Iêmen
Segundo a Reuters, Guarda Revolucionária Islâmica enviou drones, mísseis e ouro ao Iêmen, ampliando tensões no Mar Vermelho
O Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, equipamentos militares — incluindo componentes para mísseis e drones — além de ouro para os Houthis no Iêmen, de acordo com informações da agência Reuters.
A reportagem foi confirmada por duas fontes iranianas e duas fontes iemenitas ouvidas pela agência.
A movimentação ocorre em meio a uma escalada de tensões na região, com a Arábia Saudita anunciando ataques contra alvos dos Houthis no Iêmen em retaliação a disparos contra navios no Mar Vermelho.
Recomendado para você
“Centrão” é essencial para a governabilidade, diz especialista
Ao WW, Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, afirma que a...
2026-07-24 23:40:22Estudantes de Direito participam de Canvas de Políticas Públicas e contribuem para Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero 2026
Universitários foram convidados a refletir sobre os desafios d...
2026-07-24 23:32:50Conselho Federal de Odontologia proíbe PMMA para fins estéticos
Profissionais devem ter habilitação técnica específica e seguir normas...
2026-07-24 23:16:04Mais cedo, a imprensa saudita havia reportado que uma embarcação sofreu danos leves no casco após ser atingida.
Avião iraniano e o estopim dos ataques
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna explicou os antecedentes do episódio. Segundo ele, no dia 14 de junho, um avião iraniano tentou pousar em Sanaa, capital do Iêmen, transportando líderes dos Houthis que haviam participado de funerais no Irã.
"Quando o avião iraniano tentou pousar, foi atacado por projéteis lançados pela Arábia Saudita", relatou Sant'Anna. A aeronave precisou desviar para Hodeida, aeroporto sob controle dos Houthis.
Três dias após o incidente, os Houthis anunciaram retaliação contra a Arábia Saudita, atacando um aeroporto no sul do país e declarando que passariam a atacar petroleiros sauditas que utilizam a rota do Mar Vermelho pelo Estreito de Bab el-Mandeb.
A rota é usada para escoar até 7 milhões de barris de petróleo por dia por meio de um oleoduto leste-oeste que cruza a península arábica — alternativa adotada diante do bloqueio no Estreito de Hormuz.
Impacto no transporte marítimo
Com os ataques aos petroleiros sauditas, diversas embarcações passaram a contornar o trajeto, subindo pelo Canal de Suez e seguindo pelo Mediterrâneo até o Cabo da Boa Esperança — um percurso que acrescenta de 10 a 15 dias e cerca de 6 mil quilômetros à viagem.
Sant'Anna destacou que, embora os Houthis não estejam fechando completamente o Estreito de Bab el-Mandeb, os ataques direcionados aos cargueiros sauditas já geram insegurança suficiente para encarecer os custos de seguro e provocar nervosismo no setor de transporte marítimo.
Estratégia iraniana e descontentamento interno
Sant'Anna chamou atenção para o fato de que o avião iraniano já transportava, além dos líderes Houthis, peças e componentes para mísseis e drones, bem como técnicos responsáveis pela montagem desses equipamentos.
"Isso mostra qual é a estratégia do Irã", afirmou o analista, descrevendo a movimentação como uma "escalada horizontal" promovida por Teerã por meio de seus grupos aliados na região.
O analista também destacou que o envio de ouro para os Houthis irrita a população iraniana, uma vez que o país enfrenta asfixio econômico severo e não consegue exportar petróleo livremente.
O Irã mantém grupos armados aliados na Palestina, no Iêmen e no Líbano. Sobre o Iêmen, Sant'Anna lembrou que o conflito entre os Houthis e as forças armadas iemenitas — apoiadas pela Arábia Saudita — dura desde 2015, e que uma trégua de quatro anos foi rompida com os recentes ataques.
Antes da guerra na Ucrânia, a ONU considerava o conflito iemenita a maior tragédia humanitária em curso no mundo.