Análise: Como Flávio usa a polarização na estratégia de campanha
Analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia, ao Live CNN, como Flávio intensifica confronto direto com Lula enquanto campanha usa "componente do medo"
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem apostado de forma crescente na polarização como principal estratégia na reta final antes do primeiro turno das eleições. Segundo a analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN, a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) foi transformada em ativo político pela campanha, permitindo um confronto cada vez mais direto e agressivo com Lula.
Estratégias opostas: confronto versus distância
Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem evitado o confronto direto com Flávio Bolsonaro, preferindo criticar o bolsonarismo de maneira mais ampla e geral — mencionando a "trama golpista" e o movimento em torno de Jair Bolsonaro (PL) —, Flávio adota a postura oposta.
"O que Flávio faz? Flávio faz o exato oposto", afirmou Clarissa Oliveira, destacando que o candidato embarca no confronto direto com Lula de maneira cada vez mais agressiva.
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2026-09-18 14:54:05A analista ressaltou, no entanto, que Flávio enfrenta um desafio delicado nesse caminho: a necessidade de preservar o eleitor de centro. Um discurso excessivamente radical pode afastar esse segmento do eleitorado, o que seria especialmente prejudicial caso a disputa avance para um segundo turno.
Bolsa Família como campo de batalha
Na reta final do primeiro turno, Flávio tem atacado especificamente o reajuste do Bolsa Família, classificando o aumento como "uma merreca", sem, contudo, recorrer à Justiça para derrubá-lo — o que poderia voltar-se contra ele próprio.
Clarissa Oliveira observou que, caso o reajuste fosse derrubado por um ministro indicado por Jair Bolsonaro, a equipe de Lula exploraria o episódio para afirmar que o campo bolsonarista quer extinguir o benefício.
A analista lembrou ainda que o governo de Jair Bolsonaro havia idealizado uma "porta de saída" do Bolsa Família, estabelecendo um prazo para a permanência dos beneficiários no programa. Segundo ela, o programa de governo de Flávio Bolsonaro também contém elementos dessa proposta, o que pode ser explorado politicamente pela campanha adversária.
O "componente do medo" na disputa
Clarissa Oliveira avaliou que as duas campanhas presidenciais caminham para acionar o "componente do medo" nessa fase decisiva. A campanha de Flávio Bolsonaro transmite a mensagem de que a vida do eleitor piorará caso Lula seja reeleito, associando o adversário ao STF e às polêmicas do Supremo.
Já a campanha de Lula começa a reforçar os benefícios sociais históricos do PT, sinalizando que o campo adversário pretende retirar conquistas dos mais pobres e governa para os ricos.
"Eu apostaria em um confronto baseado no medo nessa reta finalíssima, que é para tentar ganhar aquela diferença pequena que aparentemente pode decidir essa primeira etapa da eleição", concluiu Clarissa Oliveira.