Análise: Candidatos iniciam convenções com palanques em aberto
PT e PL enfrentam dificuldades para fechar alianças nos principais colégios eleitorais do país; analistas do WW discutem início das convenções partidárias
As convenções partidárias tiveram início nesta segunda-feira (20), marcando oficialmente a largada do calendário eleitoral definido pelo TSE. O momento exige que os partidos saiam da fase de especulações e formalizem candidatos, alianças e estratégias de campanha.
Contudo, no WW desta segunda-feira (20), os analistas apontaram que o cenário atual apresenta um número incomum de indefinições para esta etapa do processo.
"Em eleições anteriores, a gente já tinha definições um pouco mais acertadas, agora não. O PT enfrenta dificuldade de apoio nos maiores colégios eleitorais, enquanto que Flávio Bolsonaro ainda está em busca de uma aliança nacional", observou William Waack.
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2026-07-21 04:00:09Nacionalmente, o PT deve manter uma coligação semelhante à de 2022, com a adição do PDT no primeiro turno ao lado do PSB.
O partido lançou 13 candidatos a governador e está na cabeça de chapa nos dois maiores colégios eleitorais: São Paulo e Minas Gerais. No entanto, o cenário para os candidatos é considerado difícil.
Em São Paulo, Fernando Haddad enfrenta dificuldades para convencer o eleitorado do interior do estado. Em algumas pesquisas, o ex-ministro da Fazenda aparece derrotado no primeiro turno para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em Minas Gerais, o candidato do PT ao Palácio Tiradentes é o deputado e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias. Ele era apenas a terceira opção do partido, após as desistências de Rodrigo Pacheco (PSB) e Marília Campos (PT).
Do lado oposto, Flávio Bolsonaro (PL) também enfrenta obstáculos consideráveis. Em Minas Gerais, a situação permanece indefinida: Flávio queria o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo com o PL na vice, mas o cenário não se concretizou.
Em São Paulo, Flávio garantiu o apoio da Federação União Progressista, mas não consolidou alianças no âmbito nacional. Entre os partidos cotados para compor a aliança nacional estão o União Brasil, o PP e o Republicanos.
A vaga de vice na chapa de Flávio ainda está em aberto, com disputa principalmente entre Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, e da ex-ministra Tereza Cristina.
A decisão depende do desfecho das negociações nacionais. Os diretórios partidários, por sua vez, afirmam preferir a neutralidade, deixando os diretórios estaduais firmarem acordos.
Fatores externos
Para o CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, o cenário revela as fragilidades dos principais nomes em disputa. Segundo ele, o PT fracassa em fazer qualquer tipo de atração para o centro político, enquanto o PL tem como principal dilema a própria figura de Flávio Bolsonaro.
"O filho do ex-presidente partiu do princípio de que o apoio deveria vir como em um esforço gravitacional. O problema é que, no meio desse caminho, surgiram elementos que geram arranho de imagem e alguma incerteza", destacou Souza.
O analista destacou ainda o impacto do escândalo do Banco Master e das sanções americanas como variáveis que aumentam o grau de imprevisibilidade do pleito.
Segundo ele, esses fatores fazem com que grupamentos políticos e partidários prefiram aguardar antes de aderir ao palanque de Flávio Bolsonaro. "Ou fazer isso em um eventual segundo turno", destacou.
Minas Gerais como termômetro
O diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, reforçou a importância de Minas Gerais, descrito como "o grande estado pêndulo do Brasil". Ele lembrou que, em 2018, Jair Bolsonaro venceu no estado com 58% dos votos no primeiro turno, enquanto Lula, em 2022, obteve cerca de 50% no segundo turno.
"Isso reforça a cultura de Minas Gerais como um termômetro do que acontece no país. E você vê uma dificuldade tanto de Lula, que partiu com um 'plano C' [para o governo do estado], quanto de Flávio, que não tem a sua figura preferida, que é o Cleitinho, como candidato, que não se definiu a menos de 90 dias da eleição", destacou Rittner.
Ele também chamou atenção para o desmonte de palanques importantes para a campanha de Flávio, especialmente no Rio de Janeiro.
"Muita gente está investigada pela Polícia Federal e teve que desistir de candidatura ou foi presa. Isso é preocupante para a campanha de Flávio", afirmou.
No Nordeste, o PT deve manter vantagem, mas a preocupação é com a diminuição da margem, necessária para compensar eventuais derrotas em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Segundo Rittner, o PT conta com candidatos menos competitivos em estados como Ceará e Bahia.
Questão econômica
Do ponto de vista econômico, a analista de Economia Thais Herédia avaliou que o mercado financeiro deve começar a precificar os cenários eleitorais com mais intensidade. Ela destacou que nenhum dos campos apresentou, até o momento, compromissos claros com a economia.
"O único que fala, mais ou menos, demonstrando uma vontade de fazer ajuste é o próprio Fernando Haddad, que sempre teve uma ponte aberta com o mercado financeiro, continua sendo ouvido, mas não necessariamente as pessoas levam a sério", ressalvou Herédia.
Ela também mencionou pesquisa da Paraná Pesquisas sobre candidaturas ao Senado no Distrito Federal, na qual Michelle Bolsonaro aparece em segundo lugar pelo PL, mesmo se recusando a se candidatar.
A analista apontou que a composição das chapas ao Senado pode influenciar a atratividade dos partidos da direita para eventuais apoios no segundo turno.
O analista de Política Caio Junqueira destacou que muitos partidos, principalmente do Centrão, estão optando por concentrar recursos nas campanhas para deputado e senador, em vez de apoiar candidatos ao Executivo. "Quem controla o recurso controla o poder", afirmou.