Análise: Campanha de Lula vê mote de "soberania" enfraquecido
De acordo com Isabel Mega, campanha petista vê tema usado no desfile de 7 de Setembro e em pronunciamento como desgastado; crise do STF ocupa espaço no discurso eleitoral
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o mote da "soberania", utilizado como principal mensagem no desfile de 7 de Setembro e no pronunciamento em cadeia nacional, perdeu força ao longo dos últimos meses. A percepção é de fontes ligadas à própria campanha, que reconhecem o desgaste do tema de forma crítica.
Segundo apuração da analista de política Isabel Mega, para o Bastidores CNN desta segunda-feira (7), o enfraquecimento do mote se deve, em grande parte, à crise do Supremo Tribunal Federal, que passou a dominar a pauta eleitoral.
"Mesmo tendo essa percepção de que o mote deu uma enfraquecida, em uma data como hoje, sete de setembro, é o mote que, querendo ou não, resta ao governo para se apegar, porque está dentro de uma certa segurança", afirmou Mega.
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2026-09-07 15:02:53De acordo com a analista, a Advocacia-Geral da União realizou um pente-fino nas atividades previstas para o 7 de Setembro, delimitando regras para garantir que a data, ocorrendo em período eleitoral, não gerasse infrações. "Uma coisa é o governo e outra coisa é a campanha", destacou.
No evento, havia faixas e alusões ao "Brasil soberano", e, segundo Isabel, houve um pedido para que as pessoas comparecessem vestindo verde e amarelo. As cores foram adotadas por autoridades presentes, que evitaram o vermelho como forma de distinção simbólica.
Segundo o âncora Gustavo Uribe, antes das solenidades do 7 de Setembro, a campanha de Lula consultou a Justiça Eleitoral para verificar se um pronunciamento em cadeia nacional estaria dentro das normas.
A preocupação com os limites legais foi reforçada pelo histórico de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após o desfile, subiu em um carro de som e fez discurso político, atacando o ministro do STF Alexandre de Moraes e declarando que não seguiria suas ordens.
Esse episódio resultou, um ano depois, em condenação por inelegibilidade pelo TSE.
Crise do STF toma o centro do debate
O mote da soberania, que meses atrás era apostado como pauta preponderante nas eleições, especialmente diante do cenário internacional, foi sendo progressivamente escanteado. A crise do STF, desencadeada pelas revelações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, passou a ocupar o centro das atenções.
"Há uma divisão na coordenação da campanha hoje, com muitas críticas dos candidatos, sobretudo daqueles ao Parlamento, sobre qual será a condução do discurso, porque é a partir do discurso do presidente Lula que se dá o tom para os demais", destacou a âncora Tainá Falcão.
Ela lembrou que candidatos apoiados por Lula, especialmente em São Paulo, como Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), não esperaram uma posição do presidente e fizeram críticas a Alexandre de Moraes assim que as informações vieram a público.
Segundo as fontes ouvidas pela âncora, Lula demonstra pouca disposição para lidar com o tema, ao mesmo tempo em que trata a situação como se não fosse capaz de respingar no governo.
Tainá destacou que integrantes da velha guarda do PT apontaram três fatores que tornam a crise particularmente sensível: a associação histórica do partido ao tema da corrupção, o fato de as crises tenderem a colar nos candidatos à reeleição, e a relação construída e conhecida entre o presidente e Alexandre de Moraes.