Análise: Campanha de Flávio Bolsonaro tenta evitar deslizes de aliados
A 16 dias do primeiro turno, campanha adota postura cautelosa para não dar munição aos adversários políticos; a apuração é da analista de Política da CNN Jussara Soares
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma postura de contenção na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. A orientação interna é que aliados evitem manifestações públicas sobre assuntos sensíveis, reduzindo o risco de declarações que possam ser exploradas pelos adversários. A apuração é da analista de Política da CNN Jussara Soares ao CNN Prime Time.
Segundo Jussara Soares, a estratégia visa proteger o cenário favorável que a campanha tem comemorado.
"Qualquer orientação para os aliados, evitar dar entrevista, evitar se manifestar, qualquer fala de improviso que possa ser mal colocada, tirada de contexto ou explorada mesmo pelo PT", explicou Jussara.
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2026-09-18 21:57:10Empate técnico motiva cautela
A decisão de adotar um perfil mais discreto está diretamente ligada ao desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto.
Após uma queda expressiva nos índices registrada em maio — quando veio a público um áudio dele para Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro —, o candidato conseguiu se recuperar e agora figura em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Para o Flávio Bolsonaro, esse é um cenário excelente. Ele quer evitar que mexa esses números", afirmou Jussara.
A campanha também negou que Flávio Bolsonaro tenha autorizado a ação apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL) contra o reajuste de 15% do Bolsa Família. O episódio ilustra a preocupação da equipe com manifestações de aliados que possam gerar desgaste político.
Foco no Sudeste e silêncio estratégico
A estratégia para os dias que antecedem o primeiro turno combina agendas públicas com restrição de declarações espontâneas. De acordo com Jussara Soares, a campanha está concentrando esforços principalmente no Sudeste, região considerada decisiva para o resultado da eleição.
"A ideia é continuar fazendo uma campanha muito em agendas públicas, fazendo essas visitas, agora com foco principalmente no Sudeste, nessa reta final para aumentar o eleitorado nesses estados que são definidores da eleição, mas evitar essas falas", detalhou a analista.
O próprio Flávio Bolsonaro também deve reduzir suas aparições públicas e declarações. Na data da reportagem, uma entrevista previamente agendada foi cancelada sem que a assessoria de imprensa apresentasse justificativa.
Segundo a apuração da CNN, tudo indica que a campanha está calculando cada passo para não oferecer brechas aos adversários. "Tudo muito calculado para evitar dar munição para o presidente Lula", concluiu Jussara Soares.