A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. No entanto, a analista de Política da CNN Isabel Mega avalia, ao Live CNN, que Flávio vem apresentando oscilações positivas relevantes, impulsionadas, em grande parte, pela reaproximação com Michelle Bolsonaro (PL) e pelo uso da imagem de Jair Bolsonaro (PL) na campanha.
Reconciliação com Michelle impulsiona candidatura
Segundo Isabel Mega, a pesquisa traz perguntas específicas sobre o impacto da reconciliação entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Os dados mostram adesão tanto do eleitorado bolsonarista quanto da direita não bolsonarista.
Para o eleitorado independente, a percepção de que o apoio de Michelle aumenta as chances de vitória de Flávio subiu de 31% para 37%. Entre a direita não bolsonarista, o salto foi de 53% para 70%. Já entre a direita bolsonarista, o índice foi de 48% para 79%.
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2026-08-05 13:10:14A analista destacou ainda que Flávio conseguiu elevar o patamar de eleitores que consideram seu voto decidido, passando de 62% para 68%.
Lula, por sua vez, ficou estacionado em 77%, o que, segundo Isabel Mega, pode indicar que o candidato petista chegou a um teto em relação ao seu potencial de votação. “O presidente Lula não está conseguindo oscilar mais positivamente, não consegue melhorar os índices de aprovação do governo“, afirmou.
Uso da imagem de Jair Bolsonaro representa risco jurídico
Isabel Mega observou ainda que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passou por um redirecionamento de rota. Se nos primórdios da pré-campanha havia uma tentativa de afastamento do sobrenome Bolsonaro, agora a estratégia é a oposta.
A analista apontou, porém, que o uso de inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro na convenção do PL foi levado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ainda aguarda decisão. “Isso foi levado para o Tribunal Superior Eleitoral, ainda deve ter uma decisão a respeito disso”, disse.
Clarissa vê governo Lula como principal problema de Lula
A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira apresentou uma visão divergente. Para ela, a recuperação do eleitorado bolsonarista em torno de Flávio era um movimento esperado, já que pesquisas anteriores ocorreram em momentos de noticiário intenso e negativo para o candidato.
O ponto central de preocupação, segundo ela, está dentro do próprio governo. “Eu vejo o governo Lula como o maior inimigo do governo Lula neste momento”, afirmou.
Clarissa destacou que medidas anunciadas pelo governo, como o programa Desenrola e a isenção do imposto de renda, geraram alta momentânea nas pesquisas, mas não se sustentaram ao longo do tempo.
O eleitor independente, que a analista considera decisivo para o resultado da eleição, demonstra um padrão claro: inicialmente reage positivamente aos anúncios, mas nas pesquisas seguintes esse índice cai. “A gente tem um quadro muito claro de cansaço de uma camada expressiva do eleitorado com a atual gestão”, concluiu.
Clarissa concordou com Isabel Mega apenas no que diz respeito ao fator Michelle Bolsonaro, reconhecendo que a reconciliação foi relevante para a recuperação de Flávio nas pesquisas.