Em meio a um ciclo de R$ 6,8 bilhões em investimentos destinados à ampliação da capacidade operacional e modernização da infraestrutura no Porto de Paranaguá, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) reacendeu o debate sobre a situação dos acessos terrestres ao complexo portuário.
O setor defende uma modernização contínua dos acessos, acompanhando os investimentos dentro do complexo.
No último ano, os portos paranaenses movimentaram cerca de 73,5 milhões de toneladas, batendo recorde e um volume 10,1% superior ao registrado em 2024.
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2026-07-31 07:24:04Segundo o sindicato, a pressão sobre a infraestrutura rodoviária também pode ser observada no pátio público de triagem do terminal, que recebeu 507.915 caminhões no último ano, crescimento de 29,5% em relação ao ano anterior.
Para Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do SETCEPAR, o porto “pode ampliar sua capacidade de recepção e embarque, mas, se o caminhão continuar levando horas para entrar ou sair, o investimento não se traduz em eficiência real”.
Terminal, pátio, rodovia e sistemas de agendamento precisam funcionar como um fluxo contínuo. Do contrário, o ganho de capacidade interna se transforma em fila do lado de fora
Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná
Ao mesmo tempo, a integração entre os modais ganha ainda mais importância diante da implantação do Moegão, complexo ferroviário do terminal que recebeu investimento superior a R$ 650 milhões, projetado para movimentar até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano.
Em contrapartida, o porto enfrenta a expansão dos portos do Arco Norte, que no último ano responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e 48% das vendas externas de milho, enquanto o porto paranaense concentrou, respectivamente, 13,4% e 10,4% dos mesmo embarques.
Para o executivo, o avanço ferroviário pode reduzir a pressão sobre as estradas nos períodos de safra, mas não elimina a necessidade dos investimentos rodoviários.
“A ferrovia é fundamental para cargas de grande volume, mas não substitui o caminhão. O transporte rodoviário continuará indispensável na coleta nas origens, na movimentação de contêineres, nas cargas fracionadas e nas operações que exigem capilaridade e flexibilidade. A expansão ferroviária deve organizar melhor a distribuição das cargas, e não servir como justificativa para postergar melhorias na BR-277”, ponderou.
Ainda segundo Nery, a eficiência precisa ser medida pelo ciclo completo da operação, considerando desde a rodovia, o pedágio e o combustível, até o pátio de triagem, agendamento e acesso aos terminais.
Na visão dele, o porto só continuará sendo competitivo “se a modernização portuária for acompanhada por acessos seguros pátios com capacidade adequada, sistemas integrados” e diálogo entre as autoridades responsáveis.
“Investimentos em berços, armazéns e equipamentos melhoram a operação do portão para dentro, mas o transportador mede o tempo desde a saída da origem até o retorno do veículo”, concluiu.
Outro lado
Procurada, a administração do Porto de Paranaguá defendeu uma necessidade de melhorar e ampliar cada vez mais os acessos, mas reforçou que o terminal possui um sistema de agendamento que evita filas e acúmulo de caminhões em rodovias.
Chamado de “Carga Online”, o sistema busca planejar, controlar e organizar o fluxo de recebimento de cargas de granéis sólidos vegetais transportadas pelo modal rodoviário.
“Todo o fluxo de cargas é meticulosamente controlado pelo sistema, que informa às empresas o dia e a janela de horário em que o caminhão poderá acessar o Pátio de Triagem. Isso evita que os veículos trafeguem pelas rodovias de forma antecipada, realizando paradas desnecessárias que podem gerar filas ou lentidão no tráfego”, afirmou.
Ainda segundo a administração, o benefício do sistema é mútuo, porque além de garantir maior fluidez ao tráfego, “o motorista reduz o tempo de espera em filas, otimiza sua jornada de trabalho e amplia a possibilidade de realizar outros fretes”.