Ampliação em Paranaguá reacende debate sobre gargalo de acessos rodoviários

Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) defende modernização contínua dos acessos, acompanhando os investimentos dentro do complexo

Ampliação em Paranaguá reacende debate sobre gargalo de acessos rodoviários
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Em meio a um ciclo de R$ 6,8 bilhões em investimentos destinados à ampliação da capacidade operacional e modernização da infraestrutura no Porto de Paranaguá, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) reacendeu o debate sobre a situação dos acessos terrestres ao complexo portuário.

O setor defende uma modernização contínua dos acessos, acompanhando os investimentos dentro do complexo.

No último ano, os portos paranaenses movimentaram cerca de 73,5 milhões de toneladas, batendo recorde e um volume 10,1% superior ao registrado em 2024.

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Segundo o sindicato, a pressão sobre a infraestrutura rodoviária também pode ser observada no pátio público de triagem do terminal, que recebeu 507.915 caminhões no último ano, crescimento de 29,5% em relação ao ano anterior.

Para Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do SETCEPAR, o porto “pode ampliar sua capacidade de recepção e embarque, mas, se o caminhão continuar levando horas para entrar ou sair, o investimento não se traduz em eficiência real”.

Terminal, pátio, rodovia e sistemas de agendamento precisam funcionar como um fluxo contínuo. Do contrário, o ganho de capacidade interna se transforma em fila do lado de fora

Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná

Ao mesmo tempo, a integração entre os modais ganha ainda mais importância diante da implantação do Moegão, complexo ferroviário do terminal que recebeu investimento superior a R$ 650 milhões, projetado para movimentar até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano.

Em contrapartida, o porto enfrenta a expansão dos portos do Arco Norte, que no último ano responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e 48% das vendas externas de milho, enquanto o porto paranaense concentrou, respectivamente, 13,4% e 10,4% dos mesmo embarques.

Para o executivo, o avanço ferroviário pode reduzir a pressão sobre as estradas nos períodos de safra, mas não elimina a necessidade dos investimentos rodoviários.

“A ferrovia é fundamental para cargas de grande volume, mas não substitui o caminhão. O transporte rodoviário continuará indispensável na coleta nas origens, na movimentação de contêineres, nas cargas fracionadas e nas operações que exigem capilaridade e flexibilidade. A expansão ferroviária deve organizar melhor a distribuição das cargas, e não servir como justificativa para postergar melhorias na BR-277”, ponderou.

Ainda segundo Nery, a eficiência precisa ser medida pelo ciclo completo da operação, considerando desde a rodovia, o pedágio e o combustível, até o pátio de triagem, agendamento e acesso aos terminais.

Na visão dele, o porto só continuará sendo competitivo “se a modernização portuária for acompanhada por acessos seguros pátios com capacidade adequada, sistemas integrados” e diálogo entre as autoridades responsáveis.

“Investimentos em berços, armazéns e equipamentos melhoram a operação do portão para dentro, mas o transportador mede o tempo desde a saída da origem até o retorno do veículo”, concluiu.

Outro lado

Procurada, a administração do Porto de Paranaguá defendeu uma necessidade de melhorar e ampliar cada vez mais os acessos, mas reforçou que o terminal possui um sistema de agendamento que evita filas e acúmulo de caminhões em rodovias.

Chamado de “Carga Online”, o sistema busca planejar, controlar e organizar o fluxo de recebimento de cargas de granéis sólidos vegetais transportadas pelo modal rodoviário.

“Todo o fluxo de cargas é meticulosamente controlado pelo sistema, que informa às empresas o dia e a janela de horário em que o caminhão poderá acessar o Pátio de Triagem. Isso evita que os veículos trafeguem pelas rodovias de forma antecipada, realizando paradas desnecessárias que podem gerar filas ou lentidão no tráfego”, afirmou.

Ainda segundo a administração, o benefício do sistema é mútuo, porque além de garantir maior fluidez ao tráfego, “o motorista reduz o tempo de espera em filas, otimiza sua jornada de trabalho e amplia a possibilidade de realizar outros fretes”.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/ampliacao-em-paranagua-reacende-debate-sobre-gargalo-de-acessos-rodoviarios/