AKIN S.A. capta R$10 milhões para digitalizar agronegócio

Recursos serão usados na expansão da AgroDeri, plataforma que utiliza blockchain e tokenização para crédito rural e aproxima produtores e investidores

AKIN S.A. capta R$10 milhões para digitalizar agronegócio
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AKIN S.A. capta R$10 milhões para digitalizar agronegócio

Recursos serão usados na expansão da AgroDeri, plataforma que utiliza blockchain e tokenização para crédito rural e aproxima produtores e investidores

Nicolas Damazio, , São Paulo

A digitalização do mercado financeiro começa a ganhar espaço também no agronegócio. Nesse movimento, a AKIN S.A. anunciou uma rodada para captar R$ 10 milhões com o objetivo de acelerar a expansão da AgroDeri, plataforma que utiliza blockchain e tokenização de ativos para estruturar operações de crédito rural e aproximar produtores, instituições financeiras e investidores.

A iniciativa ocorre em um momento em que a tokenização começa a ganhar espaço no mercado brasileiro. Embora ainda não exista uma legislação específica sobre o tema, a regulamentação varia conforme a natureza do ativo: quando o token representa um valor mobiliário, a supervisão cabe à CVM (Comissão de Valores Mobiliários); nos demais casos, as operações são enquadradas no Marco Legal dos Criptoativos e nas regras estabelecidas pelo Banco Central.

Segundo a empresa, os recursos captados serão destinados à ampliação da infraestrutura tecnológica da AgroDeri e ao desenvolvimento de novas soluções para digitalizar operações financeiras ligadas ao agronegócio.

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"O objetivo é avançar no processo de digitalização no campo com nossas tecnologias. Desta forma, vamos construir um ecossistema que provavelmente, daqui a cerca de 12 meses, pode estar valendo R$ 1 bilhão", afirma o fundador e CEO da AKIN S.A., Leandro Dias.

Infraestrutura para o crédito rural

Apesar de ainda ser associada principalmente às criptomoedas, a tokenização não cria um novo ativo financeiro. A tecnologia permite representar digitalmente, em blockchain, ativos que já existem — como contratos, recebíveis e outros direitos econômicos — tornando mais eficiente seu registro, negociação, rastreabilidade e fracionamento.

No agronegócio, essas características ganham relevância diante da necessidade constante de financiamento da produção, do elevado volume de recebíveis gerados pelo setor e da crescente demanda por transparência e rastreabilidade nas cadeias produtivas.

É nesse contexto que a AgroDeri foi desenvolvida. A plataforma estrutura operações de crédito voltadas principalmente à aquisição de insumos agrícolas, como fertilizantes, sementes e defensivos. Antes da concessão dos recursos, a empresa realiza análises de risco e incorpora mecanismos de proteção contra oscilações de preços e de safra.

Após essa etapa, os contratos podem ser tokenizados e registrados em blockchain, permitindo que esses ativos sejam negociados em ambiente digital e ampliando as possibilidades de captação de recursos para financiar a atividade agrícola.

"Nós conectamos protocolos de blockchain e diferentes participantes do mercado para pulverizar o risco dessas operações e criar uma nova alternativa de liquidez para o crédito agrícola", diz Dias.

Segundo o executivo, o modelo também pode contribuir para ampliar a transparência na formação de preços de produtos que hoje não possuem mercados organizados de negociação, como frutas, por exemplo.

Da inclusão financeira ao agronegócio

A AKIN S.A. foi fundada em 2019 com a proposta de desenvolver soluções de infraestrutura financeira baseadas em blockchain. Inicialmente, a companhia direcionou seus esforços para projetos de inclusão financeira voltados a moradores de periferias, mas a dificuldade de estruturar garantias levou a empresa a buscar novos mercados.

"O agro apresentava um desafio semelhante: um setor extremamente relevante para a economia, mas que ainda enfrenta dificuldades de acesso ao crédito em diferentes segmentos, especialmente entre pequenos produtores", afirma Dias.

A aproximação com o agronegócio ocorreu por meio de programas de aceleração e de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de startups, processo que culminou na criação da AgroDeri.

Em 2022, a empresa recebeu investimento do Nubank por meio do programa Semente Preta, iniciativa criada para apoiar startups de tecnologia fundadas por pessoas pretas e ampliar a diversidade no ecossistema de inovação brasileiro.

Atualmente, a companhia também mantém parceria com a Cyklo Agritech, aceleradora especializada no desenvolvimento de projetos e startups voltados ao agronegócio.

Expansão

Além da rodada de R$ 10 milhões anunciada agora, a AKIN S.A. firmou recentemente um acordo de capital contingente ("facility") de até US$ 20 milhões com a gestora norte-americana Global Emerging Markets (GEM). O instrumento prevê acesso gradual aos recursos, condicionado ao avanço da estratégia de expansão da companhia e da evolução do ecossistema AgroDeri.

Segundo Dias, a expectativa é utilizar os novos aportes para ampliar a infraestrutura tecnológica da plataforma, expandir sua base de usuários e consolidar um ambiente digital voltado à negociação de ativos ligados ao financiamento agrícola.

Para o executivo, o avanço da tokenização tende a acompanhar a digitalização do sistema financeiro brasileiro e criar novas alternativas para conectar capital e produção no campo.

"O agro reúne características muito favoráveis para esse tipo de tecnologia. Existe uma necessidade constante de financiamento, ativos com lastro físico e uma demanda crescente por rastreabilidade. Nossa expectativa é contribuir para acelerar essa transformação", afirma.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/akin-s-a-capta-r10-milhoes-para-digitalizar-agronegocio/