A ciência que transformou a pecuária brasileira em potência global

Programa da Embrapa de melhoramento genético de gado de corte, o Geneplus, completa 30 anos; nesse período produção de carne do Brasil cresceu quase 150%

A ciência que transformou a pecuária brasileira em potência global
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Uma parceria público privada, que começou em 1996 para oferecer assessoria técnica especializada a produtores de duas raças, em três estados, se transformou em um pilar fundamental para o crescimento e eficiência da pecuária nacional. O Programa Embrapa de Melhoramento de Gado de Corte, o Geneplus, completa 30 anos.

Nessas três décadas a pecuária nacional passou de uma atividade marcada por investimentos limitados em manejo, nutrição e genética para uma potência global.

Segundo Maury Dorta, supervisor das raças taurinas do programa, o investimento em genética é, antes de tudo, uma estratégia de eficiência: “fazer seleção é muito barato; caro é deixar de utilizar a genética a seu favor na produção”.

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O trabalho feito no campo, com acasalamentos direcionados e orientação técnica, fez a produção de carne o Brasil saltar quase 150% em 30 anos. Enquanto o tamanho do rebanho avançou 40%.

O dado do Beef Report, organizado pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), mostra o avanço na produtividade. Um animal produz muito mais carne hoje e em menor tempo. E os programas de melhoramento genético, como o Geneplus, se tornaram ferramentas essenciais para esse ganho.

O da Embrapa atende atualmente cerca de 600 fazendas. Além do Brasil o Geneplus exporta tecnologia para Bolívia, Paraguai, Colômbia e Angola, englobando raças zebuínas, taurinas e compostas.

Na raça Nelore, por exemplo, o programa soma cerca de 3 milhões de animais avaliados, garantindo a consistência estatística nos resultados gerados.

Leonardo Nieto, supervisor das raças zebuínas do Geneplus, diz que a validação científica convenceu o mercado produtivo. “Os criadores começaram a observar que os touros escolhidos pelo programa tinham produção muito boa e um aproveitamento muito grande. Aí começou a aumentar a procura e distribuição do sêmen. Em 15 anos, 195 touros jovens produziram mais de 94 mil filhos e 65 mil netos que estão no campo. São novos melhoradores do rebanho”.

Paulo Nobre, gestor do Geneplus, ressalta que “o melhoramento genético é um processo contínuo, longo e que exige persistência. Os resultados não são imediatos; é necessário quantificar gerações”.

Hoje a estrutura de atendimento conta uma equipe de 45 profissionais em campo para garantir que a inteligência gerada no centro de pesquisa chegue ao produtor com orientação dos acasalamentos.

“Estamos influenciando diretamente a próxima geração de criadores, proporcionando a eles ferramentas para alcançar maior eficiência e retorno econômico”, diz Nobre.

“O acompanhamento de características de fertilidade, carcaça e adaptação assegura que a genética superior, desenvolvida nas fazendas de ponta, resulte em bezerros mais pesados na desmama e em fêmeas com maior precocidade sexual na base produtiva do país”, completa Dorta.

Recentemente, o programa oficializou uma parceria para oferecer um Curso de Pós-Graduação lato sensu (aprovado pelo MEC), formando os próximos especialistas da área. “O objetivo segue em impulsionar a evolução genética da pecuária de corte por meio de assessoria especializada. Transformando dados em decisões inteligentes e resultados sustentáveis”, conclui Paulo Nobre.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/a-ciencia-que-transformou-a-pecuaria-brasileira-em-potencia-global/